Da RedaçãoTudo

CNA publica carta aberta à Folha de São Paulo

São Paulo, 15 de setembro de 2014,

 

À Jornalista Claudia Assef

Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo

Ref: Vida Noturna no Azerbaijão

 

 

Estimada Claudia Assef,

 

folha texto integra azeri

Imagem do texto na íntegra. Clique para ampliar!

Em sua reportagem de 15 de setembro de 2014 a respeito da vida noturna da cidade de Baku (clique aqui e veja na íntegra), capital do Azerbaijão, foi feita uma referência à história do país e, em determinado momento, há a menção que os armênios estariam no rol de nações e países que invadiram ou massacraram o supracitado Estado a fim de se apossar de sua riqueza mineral mais preponderante: o petróleo do Mar Cáspio.

Como uma das entidades representativas da comunidade armênia de São Paulo e com seus trabalhos voltados à defesa da verdade histórica, incluso a luta pelo reconhecimento do genocídio armênio iniciado em 1915 perpetrado pelo governo turco-otomano e que ceifou a vida de um milhão e meio de pessoas inocentes, declaramos:

–         Em momento algum da história do Azerbaijão, país que surgiu no começo do século XX, a milenar nação Armênia cobiçou ou sequer tentou se apoderar de recursos daqueles territórios.

–         É também falaciosa a afirmação que a Armênia promoveu invasões ao território azerbaijano.

–         Se a reportagem tentou fazer uma referência implícita ao conflito de Nagorno-Karabakh, informamos que a região historicamente de ocupação armênia foi entregue ao Azerbaijão pelo ditador Josef Stalin. Com o fim da URSS, a população daquela região, majoritariamente armênia, decidiu de forma legal, organizada, e democrática, por meio de um plebiscito, por sua autodeterminação e independência, abandonando assim o tacão opressor do Azerbaijão.

–         Massacres e deportações de armênios foram feitos entre 1988, início do movimento pela autodeterminação de Nagorno-Karabakh, até 1994, quando da assinatura de armistício que permitiu que a população armênia da região voltasse a organizar sua vida de forma independente na aquela que é hoje a República Autônoma de Nagorno-Karabakh.

Assim, esperamos que a referência aos armênios seja retirada do rol das nações, povos ou países que tentaram dominar ou mesmo invadir o Azerbaijão em busca de suas riquezas. São conhecidas mundialmente as tentativas do governo de Baku em difundir pelo mundo a ideia que a República da Armênia é uma nação agressora e beligerante. Recentes acontecimentos no México e na Argentina, onde a diplomacia azeri tentou emplacar monumentos públicos em homenagem à família autoritária que ocupa o poder no país há décadas, são belos exemplos de como o lobby daquela nação age, tentando inverter a História e os acontecimentos em países com pouco contato sobre aquela região tão complexa do globo.

Certos de sua colaboração e compreensão, agradecemos e nos colocamos inteiramente a vossa disposição para demais esclarecimentos.

James Onnig Tamdjian

Presidente do Conselho Nacional Armênio – Seção Brasil

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