No último dia 19 de Março o Ministro das Relações Exteriores da Armênia, Ararat Mirzoyan, se reuniu com o com o seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira em Brasília. Na ocasião, discutiram questões e iniciativas que visam expandir a agenda bilateral, aprofundar o diálogo político e desenvolver a cooperação em várias áreas como economia, comércio, educação, inovação, tecnologia e energia.

O Brasil conta com uma expressiva comunidade de origem armênia, estimada em 40 mil pessoas, que representa importante vetor de aproximação entre os dois países. As exportações brasileiras para a Armênia em 2024 tiveram crescimento de 13,5% em relação a 2023. A corrente de comércio somou US$ 28,6 milhões em 2024, com expansão de 16,3% em relação a 2023.
Abaixo segue a declaração do Ministro das Relações Exteriores da Armênia após o encontro com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

Prezado Ministro Vieira,
Em primeiro lugar, agradeço sinceramente pelo convite e pela calorosa hospitalidade dispensada à minha delegação durante esta visita. O interesse do Brasil e seu empenho pessoal em fortalecer os laços com a Armênia são profundamente valorizados, e estamos ansiosos para consolidar a sólida base de nossa longa amizade.
Prezados colegas,
O Brasil foi um dos primeiros países latino-americanos a reconhecer a independência da Armênia em 1991 e, em 2006, tornou-se a primeira nação sul-americana a estabelecer uma embaixada residente em Yerevan. Armênia e Brasil compartilham valores e princípios democráticos fundamentais, que servem como base para nosso diálogo político e cooperação. Nas últimas três décadas, nossas relações diplomáticas evoluíram para uma cooperação significativa e multifacetada.
Esta visita representa uma oportunidade para traçar um rumo mais ambicioso para o futuro, incluindo colaboração além das áreas tradicionais de interesse mútuo.
Enquanto exploramos possibilidades de ampliar o marco legal e continuamos trabalhando em diversos projetos de acordos, hoje tenho o prazer de assinar o Memorando de Entendimento entre a Escola Diplomática da Armênia e o Instituto Rio Branco do Brasil. Estamos entusiasmados em aprofundar nossa cooperação bilateral em educação, inovação, alta tecnologia, TI e bancos digitais – áreas em que ambos estamos prontos para compartilhar e aprender com a experiência do Brasil.
Apesar da distância geográfica, há um potencial significativo para expandir nossas relações comerciais. No ano passado, houve um aumento no volume de comércio bilateral, mas certamente há muito mais espaço para crescimento.
Para impulsionar relações econômicas mais fortes, o Ministro Vieira e eu reforçamos o compromisso de promover conexões diretas entre empresas (B2B). Nesse sentido, destaco a presença de uma forte delegação brasileira na edição especial do Americas Competitiveness Exchange (ACE) da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em outubro de 2024 na Armênia.
Hoje, com o Ministro Vieira, registramos com satisfação a cooperação entre nossos países em fóruns internacionais, incluindo as Nações Unidas e suas agências especializadas, bem como a Organização dos Estados Americanos. Esperamos trabalhar em estreita colaboração com o Brasil em desafios globais cruciais, como as mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade. Confirmei ao Ministro Vieira que nossa delegação participará da COP30 em Belém, em novembro deste ano, e aguardamos a presença de representantes brasileiros na COP17 em Yerevan, em 2026. Ambos esperamos uma cooperação mais estreita nesse contexto. Além disso, apoiamos e nos tornamos membros fundadores da Aliança contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do Brasil.
Senhoras e Senhores,
Hoje trocamos opiniões sobre os desenvolvimentos e tendências internacionais. Informei o Ministro Vieira sobre as parcerias em expansão da Armênia, seja a parceria estratégica com os Estados Unidos ou o aprofundamento da cooperação com a União Europeia.
Naturalmente, também discutimos questões regionais. Enquanto testemunhamos incertezas e desafios de segurança em várias regiões, a Armênia enfrentou muitos deles diretamente, e o Cáucaso do Sul tem sido palco de diversos confrontos. No entanto, meu país mantém-se firme em seu compromisso de alcançar uma paz duradoura no Cáucaso do Sul. Tenho certeza de que o senhor ouviu sobre o desenvolvimento mais recente na normalização das relações entre Armênia e Azerbaijão: ao concordar com a versão mais recente do projeto de Tratado de Paz, a Armênia abriu caminho para a finalização do texto e das negociações. Agradecemos a rápida reação do Brasil a esse avanço. O Tratado está pronto para ser assinado, e a Armênia está pronta para assiná-lo – o que pode se tornar um pilar fundamental na construção da paz na região.
Outros pilares são a delimitação de fronteiras e o desbloqueio das comunicações regionais. No ano passado, fizemos progressos significativos na delimitação com base na Declaração de Alma-Ata de 1991, tendo delimitado e demarcado com sucesso mais de 12 quilômetros da fronteira.
Sobre o desbloqueio das comunicações regionais, apresentamos propostas muito concretas ao Azerbaijão que, se implementadas, permitiriam o funcionamento da ferrovia e, posteriormente, talvez abrissem oportunidades mais amplas para maior conectividade. É claro que, como podem imaginar, o tema da conectividade vai além das fronteiras de nossos dois países. Com a visão de contribuir e integrar rotas logísticas mais amplas, a Armênia lançou a iniciativa “Cruzamento da Paz”, um projeto que visa estabelecer um marco regional inclusivo para conectividade por estradas, ferrovias, gasodutos e redes de energia.
Para maior previsibilidade e construção de confiança mútua, a Armênia também apresentou iniciativas construtivas sobre medidas de controle e verificação de armamentos.
Infelizmente, essas propostas não foram reciprocadas de forma construtiva pelo Azerbaijão: ainda aguardamos uma resposta positiva sobre comunicação e mecanismos de controle de armas.
Embora tenhamos anunciado a finalização do projeto de Tratado de Paz, nos últimos dias houve um aumento nas acusações totalmente falsas do Azerbaijão sobre violações do cessar-fogo, categoricamente refutadas pela Armênia. Para alcançar a tão desejada paz, a forte vontade política da Armênia deve ser correspondida.
Se a paz for o objetivo, ambos os lados devem comprometer-se a promover um ambiente de confiança e diálogo. Nesse sentido, resolver questões humanitárias pendentes – como a libertação de prisioneiros de guerra armênios e outros detidos – contribuiria significativamente para aliviar a situação.
Senhoras e Senhores,
A Armênia adota uma política externa equilibrada e visionária – que busca manter a estabilidade, ampliar oportunidades econômicas e reforçar nosso compromisso com valores democráticos. Nossa parceria com o Brasil exemplifica o potencial da cooperação internacional baseada no respeito mútuo e em interesses compartilhados.
À medida que avançamos, permanecemos dedicados a aprofundar nossos laços bilaterais com o Brasil e outros parceiros globais, promovendo a paz em nossa região e contribuindo para uma ordem internacional mais justa e equitativa.
Mais uma vez, expresso minha sincera gratidão ao Ministro Vieira e ao governo brasileiro por seu apoio e engajamento. Esperamos muitos anos de colaboração frutífera e amizade.
Obrigado.