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Livro: “Não se deve esquecer”, de Mariam Baidarian

Texto: Armen Pamboukdjian

Na noite de terça feira, 22, a escritora Mariam Baidarian lançou o livro de memórias de seu, Pedro (Bedros) Baidarian (1903 – 1990), intitulado “Não se Deve Esquecer; memórias de um sobrevivente do Genocídio Armênio”. O livro foi impresso pela editora Scortecci e o lançamento aconteceu na Livraria da Vila, filial da Fradique Coutinho, em São Paulo.

Pedro Baidarian foi um sobrevivente do Genocídio Armênio em 1915, um cidadão proveniente da região historicamente Armênia de Urfa. O livro é uma transcrição de Mariam acerca dos relatos de seu pai que foram encontrados após sua morte, em 1990, numa espécie de diário de memórias. O “baú de memórias” causou surpresa até para a filha – e autora – que nunca teve conhecimento da existência desses relatos. Neles, Pedro conta como o massacre dos Armênios começou, como os moradores de sua região (Urfa) souberam do eminente ataque e os artifícios utilizados para a própria defesa e sobrevivência.

O livro vai além do óbvio e conta como o sobrevivente perdeu todos seus familiares. Relata ainda sua fuga e conseguinte salvação, a nova vida em outro país, no caso o Brasil, e o reencontro com seu irmão (Nazareth Baidarian), até então dado como morto. Em seus manuscritos, Pedro deixa bem claro que em nenhum momento nada poderia apagar de suas memórias os horrores e atrocidades aos quais os armênios, inclusive ele e seus familiares, foram submetidos pelos turcos.

O lançamento desta obra literária tem peso significativo para os armênios do Brasil, cuja nação não reconheceu as matanças de 1915 contra os armênios como genocídio e que tem pouca literatura sobre este importantíssimo tema para toda a humanidade, pois esse abriu precedentes para outros crimes lesa-humanidade como o Holocausto dos judeus e os genocídios em Darfur, Sarajevo e muitos outros.

No entanto, relatos fidedignos como o de Baidarian elevam o patamar da comunidade local, dando oportunidade a muita gente que foi privada de informação e de conhecer a verdadeira história. Além disso, um lançamento deste porte se mostra importante, pois apenas com cultura, civilidade, compreensão e conhecimento dos fatos pode-se fazer um retrato do que foi o genocídio dos Armênios e a tentativa de exterminar uma raça Cristã da face da terra.

O lançamento se mostrou um sucesso devido ao grande número de convidados presentes. Estiveram presentes ainda membros da coletividade Armênia do Brasil, e muitos outros convidados.

Fotos: Helenice Dias e Banco de imagens

Sobre o autor

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Jornalista de formação, é editor-chefe do site Estação Armênia.
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