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Estação Armênia Entrevista: Suzanne Khardalian (diretora de “As tatuagens da Avó”)

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Suzanne Khardalian, Grandma's Tatoo'sDurante sua passagem pelo Brasil, Suzanne Khardalian, diretora do filme/documentário “As tatuagens da avó” – exibido na quinta feira (24), na Livraria Cultura em São Paulo – atendeu gentilmente à mim e concedeu uma entrevista exclusiva para o Portal Estação Armênia.

Na sexta feira (25) estive presente nas dependências do Clube Armênio, local escolhido pela H.O.M (entidade que foi responsável pela vinda da diretora e pela exibição do filme) ofereceu um jantar especial à Suzanne.

Fui recebido por Khardalian, que diga-se de passagem, é uma mulher muito simpática e cordial. Ademais, expliquei que a linha da entrevista seria sobre as expectativas e impressões dela sobre a nossa comunidade, vista que, diante da contundente entrevista realizada pelo Diário Aztag (de Beirute) era dispensável falar sobre o filme em si, pois havia sido muito bem abordado pelos nossos companheiros do Líbano. Ela entendeu e, com grande entusiasmo, topou um bate papo comigo para a publicação da entrevista que foi traduzida do Armênio.

Leia a entrevista que nosso editor chefe Armen Pamboukdjian realizou com a diretora:

Suzanne na sede da HOM ARPI

Armen Pamboukdjian: Gostaria de saber como foi sua recepção aqui no Brasil.

Suzanne Khardalian: Primeiramente, estou muito feliz com a recepção das companheiras, mas esperava ser recepcionada pela juventude. Há meses era sabida a minha vinda, e esperava encontrar mais jovens na comunidade para discutir sobre o filme. Na verdade havia jovens na exibição, mas não pareciam estar todos os jovens da colônia. E o filme foi feito pra juventude e para os não armênios, a fim de que conheçam essa história, que também faz parte do genocídio.

O que achou da apresentação do filme?

Suzanne: De fato, foi muito boa a apresentação, o cinema estava lotado! Foi uma grata surpresa para mim. Depois da exibição, muita gente veio falar comigo, dizendo que conheciam essa história, mas a maioria não conhecia a história de fato, e este foi o motivo de eu querer mostrar isso pro mundo todo. Inclusive, aqui no Brasil, uma senhora se aproximou e me disse que havia visto essas tatuagens na família, mas que não sabia a história, pois os familiares eram fechados e não contaram para ela, mas que agora entendeu o que se passou. Na verdade isso não é nenhuma novidade pra mim, em toda parte do mundo as pessoas me abordam para dizer isso.

E o que está achando da nossa coletividade?

Suzanne: Estou aqui há poucos dias e não ficarei muito. E o que vi daqui foi uma comunidade interessante. Gostei muito, mas senti um problema: os jovens não estão pegando a dianteira da comunidade. Agora é a hora de a juventude mostrar sua liderança. E eu não vejo isso acontecendo aqui! É isso que vi nesses dias. Parece-me que os jovens têm receio ou não sabem como fazer isso (tomar a liderança), mas os jovens têm que fazer! Essa comunidade tem bens (Clubes, igrejas, escolas) e os jovens tem que aproveitar esse patrimônio da comunidade e assim abrir caminhos. A situação do momento parece uma luta de gigante contra formiga: os turcos e os azeris aproveitam seus poderes políticos e toda sua estrutura. Nós temos nossos pequenos clubes aqui, outro ali. Fui à Argentina e vi, os clubes são lindos. Aqui também. Tivemos líderes maravilhosos que conseguiram esse patrimônio, mas isso já está garantido e os jovens precisam tomar a liderança. Se não deixam os jovens trabalhar, deve haver um trabalho paralelo!

 Sim, é um problema, mas parece que os jovens tem também outras prioridades, mas estamos tentando, levando trabalhos em várias frente e esse isso não é nada fácil.

Suzanne: Eu sei que existem todos esses problemas, mas como esses jovens se filiam a outras entidades. Porque que eles estão se filiando ao Greenpeace, aos Médicos Sem Fronteiras e monte de outras entidades e não se interessam pela armenidade? Não que eles não devam se filiar ás entidades que eles se familiarizam, mas e a armenidade?

Khardalian (ao centro) sendo sabatinada no Clube Armênio

Realmente existe esse problema e estamos tentando trazê-los para perto, mas temos outros problemas também como o do idioma, que não é falado por muitos desses jovens daqui.

Suzanne: É verdade. Hoje é muito comum eles (jovens) se interessarem pelo chinês, pelo japonês (idiomas). Eles aprendem o inglês, o alemão, mas me desculpe tudo isso é desculpa. Porque veja bem, vamos voltar um pouco no tempo. Antes o importante era ser armênio, não importava se não falava o idioma. Porém, veja só aonde chegamos. Estamos pagando a conta disso. Não quero dizer que se você não fala armênio você não é armênio. Não é isso que quero dizer. Veja o caso dos judeus: eles saem de Nova York para aprender a língua e todos eles sabem o idioma. Eles também falam inglês o dia todo no trabalho, mas eles sabem a língua deles. Ai você tem que avaliar, o que você quer ser. O idioma é uma ferramenta que deve ser usada para a aproximação dos jovens.

É verdade! Temos que utilizar o idioma como ferramenta, e temos essa carência. Mas também temos outros fatores diante de nós na coletividade. Muitos jovens não freqüentam a colônia, mas sempre que ouvem falar do System of a Down, do Vic Darchinyan (Boxeador), da Seleção de Futebol da Armênia, ou de outra coisa conhecida que remete à Armênia, eles batem no peito e dizem que são armênios com orgulho para o mundo todo ouvir.

Suzanne: Você está vendo Armen? Temos esses elementos e referências. E os jovens precisam transferir todos esse elementos para essa coisa maior, de grande força que é armenidade. E isso seria ótimo pra comunidade, e são eles que têm que fazer isso. É importante que os jovens estejam nas entidades (como o Homenetmen, o Tashnagtsutiun, a H.O.M e etc).

Gostaria de agradecer pela sua gentileza em conceder essa entrevista e peço, para encerrarmos, que deixe uma mensagem para os leitores do nosso portal e para todos da coletividade.

Suzanne: Eu fiquei poucos dias aqui, mas gostaria de voltar porque foi como uma degustação e sei que aqui existem corações quentes, corações fortes e quentes que desejam mudanças. E espero que eles consigam isso para que quando eu voltar eu veja com meus olhos essa mudança.

*** Agradecimento especial à Amelia Avedissian de Daghlian, vice presidenta da comissão regional (América do Sul) a H.O.M.

Assista o documentário em inglês, abaixo:

 

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