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Em 12 de junho de 1993 os armênios choravam a perda do herói Monte Melkonian

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Em 12 de junho de 1993 tombava o grande Comandante Monte “Avo” Melkonian. Durante uma ação militar contra as tropas invasoras azerbaijanas na região de Martuni, uma intensa troca de tiros feriu Melkonian gravemente na cabeça, nas cercanias da vila abandonada de Merzili.

Monte nasceu em 1957 na Califórnia EUA.  Seus pais pouco falavam da sua origem armênia e foi durante algumas viagens familiares e de seus estudos universitários que ele teve os primeiros contatos com sua ancestralidade.

No final de 1977 ele se inscreveu em um programa de intercâmbio para lecionar inglês no Irã onde conheceu ainda mais a cultura e a história da Armênia através da enorme comunidade que lá vivia. Lá também ele se engajou nos movimentos populares que levaram a queda do Xá Reza Pahlevi e desde então passou a militar em organizações e grupos revolucionários.

Em 1978 e 1979 ele esteve entre os fêdaís que defenderam a grande comunidade armênia em Beirute no Líbano durante a guerra civil que ameaçava os quase 100.000 armênios que moravam, até então, no distrito de Bourdj Hammoud e em suas proximidades.

Foi nesse período que ele estabeleceu importantes contatos com grupos palestinos de esquerda, passando a formar parte de uma aliança internacionalista, que na época lutava contra o imperialismo capitalista e sua influência crescente no Oriente Médio.

Nesse mesmo período ele passou a fazer parte do ASALA (Armenian Secret Army for the Liberation of Armenia), organização que desde 1975 agrupava guerrilheiros para atacar alvos pró capitalistas com o apoio da esquerda palestina.

Monte passou a ocupar posições importantes na organização.  Participou da logística e concepção de diversos atentados contra  alvos turcos. Em 1983 o ASALA entrou em crise. Uma ala assumia o trafico de armas como formar de angariar fundos e a outra ala, encabeçada por Monte, não aceitava esse tipo de envolvimento,  pregando uma luta mais focada na libertação da Armênia e de suas terras, através de uma política de alianças com grupos progressistas.

Entre 1983 e 1985 a divisão do ASALA foi ficando cada vez mais evidente e os atentados em sequencia acabaram levando a prisão de Monte Melkonian em 1986. Depois de 3 anos ele foi deportado para o Yemen e de lá seguiu para a Armênia a fim de se engajar na luta de libertação de Nagorno Karabagh.

No começo de 1991, Monte se instalou na região de Shahumian. Ele combateu nas primeiras escaramuças contra o exército invasor azerbaijano. Nomeado comandante da forças de libertação na região de Martuni, passou a conviver diariamente com sua população, seus problemas e seus sonhos.

Com sua morte em 12 de junho de 1993, abriu-se uma lacuna na história armênia. Poucos puderam estar na linha de frente da luta na diáspora e na Armênia em momentos tão decisivos.

Monte Melkonian incorporou fielmente a figura do combatente armênio durante a guerra de libertação de Artshak.  Sua dedicação lhe rendeu um respeito enorme de todos. Recebeu o título de Herói do Povo Armênio. Seus restos mortais descansam no Cemitério de Yeraplur nas cercanias de Yerevan. Lá repousam aqueles que defenderam o povo Armênio.

Em 1995, amigos e seguidores do herói armênio fundaram a Monte Melkonian Fund na Califórnia, que tem o mesmo compromisso de altruísmo e de bem estar da Armênia e de seu povo.

Markar Melkonian, irmão de Monte, publicou recentemente uma biografa intitulada “My Brother’s Road: An American’s Fateful Journey to Armenia” na qual conta toda a jornada do herói desde os tempos da juventude na Califórnia, passando pelas revoluções no Irã, Líbano, seu ingresso na ASALA e sua chegada à Armênia, aonde, além de tudo presenciou a independência da União Soviética.

Assista abaixo um vídeo gravado com monte pouco tempo antes de sua morte, em 1993 onde ele conta (em inglês) sobre a história e o presente de Artsakh, e que aqui reproduzidos em duas partes.

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