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Jornal Agos critica fortemente carta de Arcebispo armênio ao presidente da Turquia

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Baseado em Istambul, o jornal armênio Agos, fundado pelo saudoso Hrant Dink, publicou uma carta aberta ao Arcebispo Aram Ateshyan, Vigário Geral do Patriarcado Armênio na Turquia, que foi severamente criticado pela sociedade armênia por sua carta endereçada ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan.

O Conselho Editorial do Agos leu a carta de Ateshyan com irritação, na qual o Arcebispo diz a Erdogan que a “Comunidade Armênia da Turquia admite o fato da resolução do Bundestag sobre o Genocídio Armênio com dor”.

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Via Armenpress
Tradução: Maria Carolina Chaves Indjaian

Leia abaixo o editorial:


Estimado Sr. Arcebispo,

Nós lemos a sua carta sobre a resolução do Bundestag reconhecendo o Genocídio Armênio, que foi endereçada ao presidente e assinada pela “Comunidade Armênia da Turquia”, com tristeza, raiva e vergonha. Por favor, considere esta carta como a voz dos membros da sociedade que não concordam com o conteúdo e o estilo de sua carta.

Você define a sistemática e quase completa aniquilação de um povo pela decisão de seu próprio Estado como eventos que aconteceram durante os tempos trágicos da 1ª Guerra Mundial”? – Isso é uma afronta aos antepassados, as vítimas e aos sobreviventes aos olhos da sociedade à qual você também faz parte.

A sociedade que você definiu como de “cidadãos turcos cristãos-armênios que exercem as suas obrigações ao Estado perfeitamente, superando a desilusão de verem a si próprios diferentes de outros cidadãos e sabem como proteger seus direitos quando necessário” não tem uma estrutura homogênea. Ao invés disso, consistem em indivíduos que tem seus sentimentos próprios independentes, opiniões e firmam o reconhecimento da verdade.

A questão é que não são os armêniosaqueles que se veem diferentes de outros cidadãos. Depois de 1915, sempre que a atmosfera política fica intensa, armênios se tornam sujeitos a discriminação, facismo e obviamente a discursos ameaçadores e ameaças, especialmente nos tempos da Wealth Tax em 1942 e saques de 6 e 7 de setembro. E em 19 de janeiro de 2007, eles testemunharam o assassinato de Hrant Dink, uma das figuras mais preciosas que se dedicou à paz entre os dois povos.

Você disse “Nós, como patriarcado, continuaremos a rezar pela amizade entre Turquia e Armênia”, como você pode justificar essa sua declaração, dado o fato que o seu destinatário, presidente Erdogan, ameaçou enviar de volta à Armênia os cidadãos armênios há dois dias? Não perturba a sua consciência? Vamos lembra-lo dessas declarações do presidente, no caso de você ter esquecido: “Atualmente, existem cerca de 100.000 armênios no meu país. Quase metade deles são cidadãos turcos. Contudo, a outra metade são cidadãos da Armênia e nós podemos manda-los de volta à Armênia, como a Europa fez.”

Você disse que está preocupado com o fato de que “algumas pessoas não estão felizes com a sua atitude estável que você mantém ao cumprir a maneira tradicional”. Honestamente, nós estamos tendo dificuldade em entender como bajular um superior pode ser considerado como uma atitude.

O Genocídio Armênio, como um crime contra a humanidade, diz respeito a toda humanidade. Você disse que reza pelo bem dos dois povos. O futuro comum desses povos apenas será possível quando uma honrável reconciliação for alcançada, porque então, não haverá esse tipo de opressão que causou você a negar sua própria história.

Prezado Sr. Arcebispo,

Já que você disse que “O Reich alemão evitou lidar com o assunto por conta de algumas sentenças”, nós vemos que você falhou em compreender o conteúdo dessa resolução. Quase 80% dessa resolução, que declara que o Reich Alemão como cúmplice do genocídio, consiste em um confronto da Alemanha com a sua própria história.

Vamos continuar: você disse “usar essa tragédia que traumatizou a nação armênia em políticas internacionais causam tristeza e dor.”

De fato, a opressão que levou você a escrever essa carta causam tristeza e dor. Além disso, as sub e supra-identidades da sociedade armênia na Turquia não foram prejudicadas por esta resolução, mas sim por suas palavras.

Acima de tudo, as suas palavras sobre “o abuso da nação armênia por potências imperialistas” são registrados como um exemplo do discurso negacionista, não por aqueles que irão tirar proveito de seu uso do discurso oficial do Estado, mas pelo seu próprio povo.

Num futuro próximo, vamos ver quem irá apreciar o seu discurso com um “aplausos entusiasmados”.

Nesta ocasião, emprestando estilo da sua carta, nós mais uma vez expressamos tristeza, dor, insurreição e raiva e rezamos a Deus por você, que Deus conceda sentido, inteligência e compreensão a você.

Nós também oramos a Deus para que lhe de uma atitude digna, que você obviamente não têm, já que você disse que “você vai orar a Deus para fazer os dignitários do Estado, que trabalham para o bem das pessoas, terem sucesso em seus serviços” em um momento em que dezenas de pessoas estão sendo mortas todos os dias em uma guerra civil.

Cordialmente,

AGOS.”

Armen Kevork Pamboukdjian Editor-chefe e redator do Estação Armênia. Nascido na capital Paulista, é formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, em skate pela faculdade das ruas e em causa armênia pela universidade da luta e resistência.

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