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Garo Paylan afirma: impunidade causa mais crimes

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Por Tsoler Aghjian, especial para The Armenian Weekly

garo-palyanGaro Paylan, parlamentar armênio pelo partido pró-curdos Partido Democrático dos Povos (HDP, na sigla em turco), começou seu discurso no Parlamento turco em 28 de novembro saudando o presidente e os parlamentares da Grande Assembleia Nacional com Parev Tsez (saudação em armênio).

Ele ofereceu sinceras condolências aos familiares de Tahir Elçi e ao policial mortos em Diyarbakir. Paylan fez um contundente discurso sobre injustiça, crimes cometidos ou encobertos pelo Estado e falta de liberdade de imprensa na Turquia. Leia abaixo na íntegra o discurso de Paylan:

Tahir Elçi era, assim como Hrant Dink, uma pomba. Dois dias antes de ser morto, Hrant Dink escreveu “Eu estou apreensivo como uma pomba, mas sei que neste país eles não maltratam as pombas”, enquanto a inteligência das forças de segurança e da gendarmeria enviaram Ogün Samast de Trabzon para Istambul e o ajudaram a cometer o assassinato. Oito anos se passaram desde o incidente e ainda estamos fazendo o possível para divulgar a verdade escondida do público.

Há um tempo atrás, vossa excelência disse que ele não acusa o Estado… o Estado já está soterrado com três camadas de sujeira; nosso trabalho é limpar toda essa sujeira e não jogá-la para debaixo do tapete. Porque se não fizermos isso, os crimes se acumularão e se repetirão, assim como aconteceu com Hrant Dink: sua morte está impune e por isso outra pomba (Tahir Elçi) que acreditava em paz, irmandade, negociação, liberdade de expressão e democracia foi morta.

Dois dias atrás, dois repórteres –  Can Dündar e Erdem Gül – foram presos enquanto estavam tentando tirar a sujeira de debaixo do tapete.

Quando o Estado comete um crime, quem ousará falar sobre ele? Normalmente, há três órgãos num sistema democrático – claro, se não houver nenhuma ditadura – que têm essa responsabilidade. O primeiro é o parlamento, mas, infelizmente, a maioria dos membros se rendem sem limpar a sujeira; se o parlamento não pode fazê-lo, então, numa democracia, o quarto poder é dado à imprensa. Esqueçam o judiciário, eu não estou considerando-o… Eu estava no tribunal quando Can Dündar e Erdem Gül foram interrogados; estávamos esperando ver um julgamento independente, mas o juiz já havia tomado sua decisão antes mesmo que nós tivéssemos entrado na sala.

Nós analisamos as normas nacionais e internacionais, incluindo as leis europeias de direitos humanos, a constituição e as leis nacionais que dizem respeito ao caso, pois eles foram presos de uma forma estranha nunca antes vista. O que eles fizeram, de fato, foi dizer que o Estado está cometendo um crime; disseram que o Estado está enviando armas para a Síria…

Primeiro, o fato foi negado e o Primeiro Ministro afirmou que o Estado está enviando ajuda humanitária. Depois, o vice-Primeiro Ministro, Tuğrul Türkeş, jurou que nenhuma arma havia sido enviada para os turcomenos e agora eles dizem que as armas foram sim enviadas aos turcomenos. O Presidente disse que deu ordens para o envio das armas… de acordo com a constituição, o Presidente é desobediente, então quem acusará o presidente?

E por que é certo enviar armas aos turcomenos? Esse país pertence apenas a uma certa raça ou é para todos os cidadãos? Há armênios, assírios, árabes, curdos e turcomenos na mesma região, mas por que nós estamos apenas um lado? A Inteligência Nacional tem o direito de enviar armas para a Síria? Obviamente NÃO… Então, quando o Estado está cometendo um crime como aumentar as tensões na Síria, nós queremos que o judiciário revele isso; e se não o faz, uma vez que é controlado pelo Estado… então a imprensa deve fazê-lo. Entretanto, o presidente reprime os repórteres e os obriga a respeitar os limites que ele impõe.

Não há democracia num país que a imprensa não desfruta de sua liberdade. Mesmo se você (no caso, o Partido Justiça e Desenvolvimento, AKP, na sigla em turco) tem mais que 317 membros no Parlamento, mesmo se você o declara como presidente deste país, isso não significa que você está praticando a democracia.

As notícias de hoje dizem que uma decisão secreta foi tomada em relação ao caso de Tahir Elçi. Se há algum sigilo nessas decisões, então há um crime que está sendo encoberto, como aconteceu com Hrant Dink e com as explosões de Ancara e Suruç.

Um representante do AKP afirmou, em defesa do sigilo em torno do caso Elçi, dando como exemplo o que as autoridades francesas fizeram durante os recentes ataques em Paris. A resposta de Paylan foi: “Na França, a promotoria revelou as decisões das investigações no mesmo dia que os ataques aconteceram; eles disseram que foi de autoria do ISIS. Mas vocês, todos vocês (apontando para os membros do AKP) manipularam esses crimes escondendo a verdade. Não permitiremos que vocês escondam a verdade por trás da morte de Tahir Elçi e nós apoiaremos Can Dündar e Erdem Gül pela liberdade de imprensa.

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