Home Hamazkayin Nairi no Hamazkayin | Dia 16: Retono à Yerevan e despedida

Nairi no Hamazkayin | Dia 16: Retono à Yerevan e despedida

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16° dia do Fórum Estudantil de Verão do Hamazkayin (02/08)

Nairi 2Por Nairi Zadikian:

Leia todos os relatos em -> www.estacaoarmenia.com.br/hamazkayinn


 

Partimos de Stepanakert logo cedo no domingo pela manha, as 9h00.

Não conseguia me conformar com a ideia de deixar aquela terra mágica, aquela terra vitoriosa, em que, por onde eu olhava, exergava um campo de batalha. Em cada jovem com quem eu cruzava, enxergava um soldado. Em cada criança, eu enxergava esperança. Não quero criar diferenças entre Armênia e Artsakh, mas estar la foi diferente de tudo e de qualquer coisa… Como diria nosso grande Monte Melkonian, “se perdermos Artsakh, escreveremos a última página da nossa história”. Que Deus ilumine a alma de todos aqueles que bravamente tombaram para que jovens como eu, e tantos outros, hoje tenham Nagorno-Karabagh como sua casa, e que, graças a isso, tenhamos ARMÊNIA. Força e coragem aos jovens que vem servir o exercito e guardam nossas fronteira. Nos somos muito mais fortes do que o lado de lá, é verdade, mas mesmo assim temos perdas quase todos os dias… Nunca foi facil defendermos nossas terras, língua e cultura. Sempre batalhamos por isso, e tivemos que pagar com nosso sangue. Portanto a nós que estamos tranquilos na diáspora só cabe fazer o máximo pra preservar nossa lingua e costumes.

Foi com esses pensamemtos que voltei afogada pra Yerevan. Curtimos nossa última noite em grande estilo: saimos pra jantar fora e depois dançar e se divertir.

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Voltando ao hotel no início da madrugada, já começamos a nos emocionar. Ninguém queria dormir e percebemos que deveriamos aproveitar ao máximo nossa última noite juntos. Conversamos sobre nossos sentimentos, sobre o que tinhamos passado durante aquelas duas semanas, e renovamos promessas de reencontrarmos na nossa terra. Nunca sentimos aquela terra tão nossa. Nos sentimos donos daquele lugar, da terra, da água e, mais do que isso, estavamos muito ligados uns aos outros.

A manhã seguinte era o momento oficial de dizer adeus. Acho que vou passar rapido a parte que eu chorei bastante, assinei as camisetas dos meus amigos (e tive a minha assinada!), fiz convites para que todos venham ao Brasil, e tambem recebi convite pra quase todos os continentes do mundo! Vou falar, sim, dos motivos pelos quais eu simplesmente NÃO CONSEGUIA parar de chorar: Bom, até agora não me conformei com a ideia de ter que deixar esse país. Simples assim!  Obviamente, fiz amizades incríveis, encontrei pessoas maravilhosas e percebi que, mesmo todos sendo armênios, hayrenaser, e hayakhos, pensavamos de maneiras diferentes. Aprendi muito com isso. Cada um trouxe uma experiência diferente da comunidade da onde veio. Cada um tinha uma caracteristica. Mas o mais lindo era ter a certeza, e ver transbordar do coracao de cada um a vontade de, mesmo por caminhos diferentes, chegar no mesmo lugar.

Mais do que isso, o que mais me tocava era perceber que cada uma das nossas visitas (que tive a oportunidade de relatar aqui no Portal Estação Armênia) fizeram sentido pra nós.

Fez sentido ir ao Matenataran e rever a história que deu origem do nosso rico idioma, porque eu olhava ao meu redor e todos os participantes sabiam ler, escrever e falar armênio perfeitamente.

Fez toda a diferença ter visitado a Erevan State University, ja que soubemos que um dos nossos amigos do Libano já deu entrada nos documentos para fazer sua Pós-graduação em Administracao por aqui e trabalhar pelo nosso país.

Fez todo o sentido visitar o abrigo de crianças orfãs, uma vez que muitos com isso muitos se interessaram pelo programa de voluntariado do Birthright Armênia. Todo o trabalho que as comunidades da diáspora nos quatro cantos do mundo fazem, faz sentido quando conseguem enviar seus jovens ao programa do Jambar, no qual crianças de 7 anos gritaram palavras de ordem, como: “Ararate mern e”.

As visitas, festas e jantares foram o de menos. A questao é o quanto isso valeu a pena, o quanto isso foi enriquecedor na formação de cada um dos jovens que participaram dessa experiência única.

Aproveito a oportunidade pra agradecer imensamente ao Hamazkayin de Sao Paulo, por ter de me dado a honra de representar nossa coletividade num encontro tão importante como esse. Tenho certeza que com tudo o que eu absorvi poderei servir melhor nossa comunidade, e desejo de todo o coração que mais e mais jovens possam vir nos representar nos próximos anos.

Agradeço ainda ao Portal Estação Armênia, sem dúvida alguma o principal meio de notícias da nossa Coletividade, por ter me cedido esse espaco pra que eu contasse a minha experiência e pudesse dividir com vocês meus sentimentos.

Tivemos a oportunidade de conhecer a Armenia como ela REALMENTE é. E depois de tantos relatos, tenho algumas conclusões pra revelar sobre esse assunto (ainda que parecam um pouco duras). Essas conclusões fizeram mudar meu próprio raciocínio, como armênia nascida na diáspora, e espero que todos possam compreender com a mesma amplitude com a qual tenho tentado interpretar o assunto.

1) Sentados confortavelmente na diáspora, não temos o direito de criticar o governo da Armênia. Se você quiser mais, venha pra Armênia e tentemos mudar algo. Nossa pátria nos espera de braços abertos.

2) Mandar dinheiro para ajudar a Armênia, feliz ou infelizmente (dependendo da interpretação) não presta assistência moral também, uma vez que esse país não é feito de dinheiro, e precisa, sim, de nós como pessoas.

3) Finalmente temos que entender que vir até a Armênia, parar em frente ao Ararat, fotografar e postar no mesmo segundo no Facebook com a legenda de /Ahh hayrenik/ e afins, não são parâmentros de armenidade e não passam de mera formalidade.

4) Não devemos e nem temos o direito de comparar a Armênia com outros países, seja ele o Brasil, EUA, Françaa, Canadá, Líbano, Síria, ou qualquer outro. Ninguém nos deu esse direito.

5) Não venhamos à Armênia e fiquemos espalhando aos quatro ventos quantos andares tem sua casa, quantos carros você tem, e qual é o seu salário na diáspora. Mesmo que um dia algum de nos venha morar aqui e nao consiga ter isso logo desde o início, não precisa ficar se manifestando a  toda hora. Isso não importa e não faz a menor diferença aqui.

6) Acreditem, na Armênia tem comida, SIM, e ate o dia de hoje, graças a Deus, jamais foi confirmado nenhum caso de morte por fome. A Armênia NÃO é interior. O imaginável e inimaginável existe aqui.

7) Se a Armênia não nos agrada, enquanto compatriotas, no mundo existem mais centenas de países a serem visitados. Boa viagem!

Concluindo: todos nós sabemos as razões pelas quais os armênios estão espalhados ao redor do mundo. Por favor, lembremos que somos uma nação dividida em diferentes países. Vamos respeitar uns aos outros, amar nossa nação e pátria e contribuir para a terra mãe, e não buscar prosperar em país estrangeiro. Viver na Armenia exige, SIM, muito sacrificio, mas prestemos atenção em uma coisa… Nós não somos brasilahay, amerigahay, lipanahay, ou qualquer outra coisa. MENK HAY ENK e temos somente um unico objetivo: Uma Armênia livre, independente e unida!

Obrigada a toda organização da vigésima edição do Forum do Hamazkayin, por ter me proporcionado dias incríveis, ter me juntado a jovens maravilhosos com os quais manterei a amizade pra sempre, e ainda por ter me mostrado que ha muito mais na Armênia do que meus olhos poderiam enxergar. Eu descobri um pedacinho minúsculo do que é a verdadeira Armênia. Amo mais o nosso país a cada segundo.

NOSSA PÁTRIA, NOSSA ARMÊNIA.

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