Missão franco-armênia descobre raro mural urartiano em Erebuni com cores intactas

24 de setembro de 2026

Uma missão arqueológica franco-armênia descobriu um raro fragmento de mural policromo no sítio de Erebuni, em Yerevan, com as cores excepcionalmente preservadas após mais de 2.500 anos enterrado. O anúncio foi feito em 23 de julho pela Embaixada da França na Armênia, que classificou o achado como “sem precedentes” no local. Segundo a datação preliminar, a pintura remonta à segunda metade do século VII a.C. ou ao início do século VI a.C.\

O fragmento chamou a atenção pela nitidez dos pigmentos e pelos contornos pretos bem marcados, um estado de conservação que surpreendeu os pesquisadores, já que as tintas dos murais antigos costumam desbotar ou se soltar do reboco com o tempo. A embaixada ainda não divulgou uma interpretação detalhada das figuras e dos motivos representados, mas a descoberta deve fornecer material valioso para o estudo da arte, da arquitetura e das técnicas de pintura do antigo Reino de Urartu. A datação situa a obra em um dos períodos mais conturbados da história urartiana.

Para a Embaixada da França, o achado é também um exemplo da longa cooperação científica entre os dois países, cujas missões conjuntas de arqueologia seguem produzindo resultados relevantes.

Fundada em 782 a.C. pelo rei urartiano Argishti I, sobre a colina de Arin Berd, com vista para a planície do Ararat, Erebuni é um dos sítios mais importantes da Armênia e uma das principais fontes de informação sobre Urartu. Uma inscrição cuneiforme registra a fundação da cidadela, e outras 23 inscrições em pedra documentam sua construção sob sucessivos reis. O local não era apenas militar: entre suas muralhas havia templos, edifícios administrativos, depósitos e áreas residenciais, com destaque para o templo dedicado a Haldi, principal divindade do panteão urartiano, cujas paredes já eram conhecidas por seus afrescos.

Erebuni é considerada o berço de Yerevan, cuja fundação é contada a partir de 782 a.C., e deu nome ao hino da capital, “Erebuni-Yerevan”. Urartu, por sua vez, é tido por muitos estudiosos como um estágio inicial da história do Estado armênio: a inscrição trilíngue de Behistun, do rei persa Dario I, por volta de 520 a.C., designa a mesma terra ora como “Armina”, ora como “Urartu”.

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