Por Lusine Vardanyan
“Cerca de 150 hectares aqui são salinos”, diz o agricultor Samvel Aghajanyan, na vila de Zartonq. “Trinta por cento gravemente, setenta por cento moderadamente. Até hoje, não conseguimos cultivar esses solos porque o material necessário não existe.”
De longe, a terra parece coberta de geada. De perto, é sal. O Vale do Ararat, o celeiro da Armênia, continua produzindo damascos, trigo e vegetais, mas muitas parcelas são áridas. O problema não é a seca, mas a salinização — o acúmulo de sais minerais no solo que torna a agricultura impossível.
Durante a era soviética, milhares de hectares de terras salinas foram recuperados, principalmente com o uso de ácido sulfúrico importado da Rússia. Aghajanyan lembra-se de como a mistura funcionava: “Adicionávamos o ácido à água, ele destruía o sal e o solo se tornava alcalino, favorável à rotação de culturas. Em um mês, podíamos semear e colher.”
Após o colapso da URSS, as importações cessaram. Tentativas posteriores se limitaram a estudos de laboratório ou pequenas parcelas. O próprio Aghajanyan tentou usar cloro líquido da fábrica Nairit em Yerevan, mas não obteve resultados.
A salinização ocorre de duas formas. A salinização primária afeta solos naturalmente pobres em água e com composição química desequilibrada. A salinização secundária se desenvolve devido à atividade humana, às mudanças climáticas ou a práticas inadequadas de irrigação. “Toda água que contém resíduos domésticos ou detergentes piora a qualidade do solo”, afirma Nare Darbinyan, biólogo da Universidade Estadual de Yerevan. “Isso leva à salinização secundária.”
Segundo Marina Barseghyan, do Instituto de Ciência do Solo e Agroquímica de Yerevan, a evaporação deixa minerais no solo. “Isso acontece por causa de práticas agrícolas inadequadas”, diz ela. “Mas as mudanças climáticas também têm um efeito, com temperaturas mais altas aumentando a evaporação e levando a uma maior salinização secundária.”
Para os agricultores, o resultado é drástico. “O sal queima as raízes das plantas jovens, seca as folhas e as mata”, diz Aghajanyan. Barseghyan explica que altos níveis de sódio e pH fecham os poros do solo, sufocando as plantas. A maioria dos solos salinos na Armênia está no Vale do Ararat, nas províncias de Armavir e Ararat. Vários laboratórios continuam a pesquisa. Na Universidade Estadual de Yerevan, o grupo de Anahit Atoyans usa a planta tradescantia, trazida na década de 1980 do Laboratório Nacional de Brookhaven, nos EUA, para testar a qualidade do solo, da água e do ar. Outro laboratório no Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Yerevan está experimentando o nanopriming — tratando sementes com nanopartículas para estudar seu efeito na germinação.
“Nanopartículas e biochar não foram aplicados na agricultura armênia”, diz Darbinyan. “Utilizamos resíduos orgânicos que se transformam em um produto de alto valor agregado. Este é um novo método para reduzir o estresse salino.”
A Universidade Nacional Agrária da Armênia recuperou cerca de 5.200 hectares antes da década de 1990, incluindo 200 hectares em Eraskhahun, província de Armavir. Hoje, os cientistas continuam os experimentos com minerais naturais e resíduos industriais. “Ao utilizarmos resíduos, protegemos o meio ambiente e os aplicamos como condicionador de solo”, explicou um pesquisador.
O objetivo, diz Darbinyan, é fornecer aos agricultores novos métodos que aumentem a produtividade e reduzam o estresse salino. Ela alerta que o trigo e a cevada, as culturas mais difundidas na Armênia, podem representar problemas para a indústria alimentícia. “Este não é um trabalho de um ano”, afirma Barseghyan. “São necessários anos de trabalho e uma equipe forte.”
O Ministério do Meio Ambiente confirmou que a salinização secundária aumentou nos últimos anos devido a fatores humanos. Os agricultores continuam trabalhando com base em dados antigos, já que nenhuma nova pesquisa em larga escala foi realizada. O dado mais recente indica que 15.000 hectares de terras irrigadas foram afetados. Relatórios sobre solos salinos frequentemente utilizam termos como “muitos”, “a maioria” ou “significativo”. Isso ocorre porque nenhuma autoridade armênia possui dados completos e precisos sobre a extensão do problema.





