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Hrant Dink: Há 15 anos, jornalista armênio era assassinado na Turquia

No dia 19 de janeiro de 2007, em Istambul, na Turquia, o jornalista turco de origem armênia Hrant Dink foi alvejado e morto em frente ao escritório do Agos, jornal bilíngue do qual era editor-chefe e um dos fundadores.

Dink não foi um jornalista qualquer. Ele foi e continua sendo uma grande referência para a importante comunidade armênia baseada na Turquia, bem como para todos os armênios ao redor do mundo. Foi ele quem reacendeu o debate interno sobre a necessidade da Turquia reconhecer o Genocídio Armênio, e era também grande entusiasta da reconciliação e entendimento entre os povos turco e armênio.

Hrant Dink Costumava dizer que era importante que o turco entendesse as demandas e protestos dos armênios em língua turca, por isso o Agos era publicado nos dois idiomas.

Porém, a cada vez que mencionava o Genocídio Armênio ou exigia seu reconhecimento, era processado, como foi diversas vezes nos termos do artigo 301 do código penal turco, por “atacar a Turquia” ou “insultar a identidade turca”, tendo inclusive que apelar à tribunais internacionais para que intercedessem em seu caso.

Hrant Dink recebia inúmeras ameaças de morte. Até que chegou a fatídica data de seu assassinato, crime cometido por Ogun Samsat, um jovem do interior do país, que foi preso poucas horas depois e tratado como herói pelas autoridades policiais ao chegar à delegacia. O tratamento recebido por Samsat antecipou e escancarou, ao menos aos armênios, o rumo que o caso tomaria nos anos seguintes.

Embora o autor dos disparos tenha sido condenado a 23 anos de prisão em 2011, bem como o mandante do crime, Yasin Hayal (prisão perpétua), estava claro que a morte do jornalista armênio foi orquestrada por uma rede que envolvia muitas outras pessoas além das quais as autoridades turcas puderam (ou quiseram) enxergar.

Enquanto o tempo passava, a família de Hrant Dink, juntamente com diversos movimentos sociais e organizações dos direitos humanos da Turquia e do mundo, se mobilizavam para pedir que a justiça turca investigasse a participação de pessoas ligadas ao Estado no atentado. A promotoria indicou que o poderoso grupo ultranacionalista Ergenekon pudesse estar envolvido.

Não obstante as adulterações e o desaparecimento de documentos durante o inquérito, bem como a declaração da Corte Europeia de Direitos Humanos que a Turquia havia falhado em desmantelar a rede que arquitetou o assassinato de Dink, a justiça do país permaneceu irredutível sobre o caso e manteve seus olhos fechados, para proteger autoridades que estão com as mãos sujas de sangue.

Dink não era apenas admirado e respeitado  pelos armênios. Curdos e turcos compactuavam das ideias revolucionárias de paz que Hrant idealizava.

Para além da Questão Armênia, era um ferrenho defensor dos Direitos Humanos em solo turco.

No dia do seu funeral, mais de cem mil pessoas foram às ruas prestar condolências, e exigir uma resposta do governo turco. Pessoas  ostentavam cartazes e faixas com dizeres como “Somos todos Hrant. Somos todos armênios.

Hoje, 15 anos após seu assassinato, 76 suspeitos permanecem em julgamento em conexão com o assassinato, incluindo funcionários de segurança do governo. Desses, 4 estão presos e 13 continuam foragidos da justiça.

Os armênios aguardam há mais de 100 anos por justiça para com os mortos durante o genocídio iniciado em 1915, até hoje um crime contra a humanidade sem reconhecimento e que leva a episódios tristes da história da humanidade como o da morte de um homem de valor e coragem como Hrant Dink.

Assista abaixo um dos vídeos de nossa série EXPLICA, sobre a vida de Hrant Dink.

Sobre o autor

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Jornalista de formação, é editor-chefe do site Estação Armênia.
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