Home Cultura Conheça “Há que se ter colher de ferro, não de papel”: a histórica frase de Khrimian Hairig
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“Há que se ter colher de ferro, não de papel”: a histórica frase de Khrimian Hairig

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220px-Mkrtich_Khrimyan“Há que se ter colher de ferro, não de papel” – Khrimian Hairig (1820 -1907).

A frase acima é muito conhecida no mundo armênio e é atribuída, com toda justiça, a Mgrditch Khrimian (Khrimian Hairig).

Hairig (Pai) a proferiu no Congresso de Berlim, realizado no ano de 1878, ao representar a Armênia (sob jugo tirano do Império Otomano) frente as potências mundiais cobrando autodeterminação ao povo armênio.

Porém, a história da célebre frase é pouco conhecida pelas novas gerações de armênios, mas deveria ser o reflexo de sua armenidade.

Abaixo você entende melhor essa história.



“Hamozvadz enk vor myain zenkov ga hayots pergutiun” (E
stamos convencidos que só pelas armas se fará a independência da Armênia)

 

Era o Congresso de Berlim, de junho de 1878, realizado cerca de 3 meses após o ilusório Tratado de Santo Estéfano, em Constantinopla (atual Istambul).

Vários delegados armênios, chefiados pelo admirável Khrimian Hairig (religioso armênio e líder político), que mais tarde foi Patriarca Supremo de todos os armênios, ansiavam por reivindicar melhorias para a Armênia, mas as potências se uniram contra ela, como lobos frente aos carneiros…

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Frustrados os intentos dos congressistas armênios, retornam humilhados e cabisbaixos ao traído país.

O povo cobra explicações e Khrimian dá-lhes uma alegoria que ficou na história e no anedotário nacional: “Estávamos sentados ao redor de uma grande mesa onde trouxeram pratos individuais  e uma grandiosa panela contendo sopa. Os delegados de cada Nação presentes tiraram de suas vestes uma colher de ferro, meteram-na no tacho e se serviram da sopa. Eu, como não tinha colher de ferro, improvisei uma colher de papel, em forma de requerimento, mas ao tocá-la na sopa, caiu inútil no caldeirão fervente”.

Khrimian Hairig era um filósofo dotado de agudo espírito crítico. E com essa inteligente imagem e analogia desejou esclarecer e concitar o povo armênio a armar-se.

Para ele, a sopa significava os benfícios, as melhorias que o Congresso de Berlim podia oferecer às nações participantes. As colheres de ferro remetiam às armas, canhões, espadas e exércitos (poder bélico).

Ora, a metáfora queria ensinar a todos que somente através das armas é que a Independência poderia ser conquistada, e por isso o poeta popular escreveu: “Hamozvadz enk vor myain zenkov ga hayots pergutiun” (estamos convencidos que só por meio das armas se fará a independência da Armênia), célebre frase presente em muitas músicas patrióticas da Federação Revolucionária Armênia (Tashnagtsutiun), partido armênio que completou 125 anos de luta em pról do povo armênio em 2015.


Texto retirado, com prévia autorização, do livro “Das Cinzas À Vitória”, de Hrant Sanazar, primeiro prefeito de Osasco (SP).

Abaixo você ouve a célebre canção Tashnagtsagan “Menk Angueghdz Zinvor Enk” (Nós somos soldados leais) que leva tal frase em sua essência, na voz de ninguém menos do que Karnig Sarkissian

 

 

 

Armen Kevork Pamboukdjian Editor-chefe e redator do Estação Armênia. Nascido na capital Paulista, é formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, em skate pela faculdade das ruas e em causa armênia pela universidade da luta e resistência.

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