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Desencantamos

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Domingo iluminado para a Armênia nos Jogos Olímpicos de Londres. Começamos com uma leve desesperança ao recebermos a notícia de um mau resultado no tiro. Mas a tarde foi de alegrias, uma após a outra, e voltamos a acreditar e torcer como no primeiro dia de competições, a esperança e energia positiva estão maiores do que nunca nesse ano de jogos.

Permita-me esclarecer o leitor que estarei me referindo a terceira pessoa do plural durante todo esse artigo. Porque com “nós” não estou me referindo à equipe de redação do Portal, nem a um grupo de armênios definidos pela nacionalidade no registro de nascimento. Estou me referindo aos Armênios nascidos na Armênia, aos Armênios nascidos na diáspora, aos Armênios nascidos em famílias que sequer tem alguma ascendência ao povo do Cáucaso. Os Armênios com “A” maiúsculo, contrariando todas as regras da gramática portuguesa, os Armênios que torcem, se angustiam e sofrem com cada episódio desse grande espetáculo que são as Olimpíadas.

Após oito dias de competições e treze competições com participações de Armênios ainda estávamos sem nenhuma medalha. Chegamos a amargar algumas últimas colocações e vimos poucas chances de nos aproximarmos do pódio. O desempenho dos atletas pode ter deixado o espectador pouco informado com a impressão de que a Armênia não tinha grande expressão nos jogos Olímpicos, que erámos mais um dos países nanicos nas competições, que pouco ameaçam as seleções mais tradicionais. Afinal, levamos seis atletas para disputar a medalha em Halterofilismo e, até então, nenhum nome havia ultrapassado a metade da tabela de classificação final.

Mas engana-se o leitor que acha que o histórico Armênio dessa festa ao esporte se resume nesses últimos oito dias. Conquistamos 31 medalhas para a extinta União Soviética e desde a separação estamos apenas nos reestruturando para voltar com a força no esporte que tínhamos antigamente. Assim como outros países a Armênia tem suas modalidades em que é favorita. Que entra em campo pra levar o ouro, e luta até as últimas forças para conquista-lo.

Hoje desencantamos. Talvez nem tão otimistas devido ao resultado dos últimos dias. A notícia do início da manhã que o Armênio Norayr Bakhtamyan havia terminado a prova de tiro sem um grande resultado pode ter dado um ar de rotina às competições de 2012. Mas tudo mudaria as 10:00 da manhã, horário que muitos provavelmente estavam acordando no domingo de descanso.

Luta Greco Romana

Em uma das mais antigas competições das Olimpíadas, presente desde 1986, a Armênia era favorita. No esporte preferido de Napoleão, Arsen Julfalakyan enfrentou o quirguistanês Daniyar Kobonov pela categoria 74Kg. Vitória.

Avançando para as quartas um adversário de peso, Aliksandr Kikiniou da Bielorrússia. Após dois rounds de domínio do Armênio, vitória.

A chegada à semifinal já criava uma expectativa de medalha mais forte, o coração já começava a palpitar. Cenário que só agravou após o anúncio do próximo adversário: o atleta do Azerbaijão Ermin Ahmadov. A certeza da primeira medalha estava apenas a um azeri de distância. Quantos conflitos Históricos não passaram pela nossa cabeça naquela hora?

Dava para ver no mínimo oito bandeiras azeris na torcida. A disputa começou com uma tensão imensa, para nós torcedores, porque para Arsen valeu o velho ditado “é mais difícil para quem está torcendo do que para quem está participando”. Domínio do Armênio no primeiro round, domínio do Armênio no segundo round, vitória.

Finalmente a medalha tão desejada. Aqui do Portal perguntamos no Facebook se os leitores achavam que a primeira medalha Armênia seria de prata ou de ouro. Estávamos errados.

Halterofilismo

Em meio a tanta alegria esquecemos de voltar nossos olhos para uma guerreira. Hripsime Khurshudyan era nossa última participação no Halterofilismo, modalidade que tínhamos depositado tanta esperança nos dias anteriores. Não esperávamos favoritismo, afinal esta é apenas a quarta edição de Jogos Olímpicos em que permitem a participação de mulheres no Levantamento de Peso.

A atleta Armênia era firme, levantava pesos com destreza em cada uma das etapas, foi muito aplaudida pelo público presente, e muito mais por nós que estávamos em casa. Chegou a ficar em primeiro lugar, quando restavam apenas duas oponentes para terminar a disputa. Pulou, chorou e comemorou a medalha, mesmo sem ainda saber de que cor seria. Ambas as adversárias levantaram pesos superiores ao da Armênia, o que não a desanimou em nenhum momento. A primeira medalha Armênia estava conquistada, era um bronze, com sabor de vitória.

Final da Greco Romana

Em sequencia à medalha de Khurshudyan voltava ao ExCel arena Arsen Julfalakyan, dessa vez com o apoio da torcida. A nossa tensão era evidente, conquistaríamos o ouro?

Logo no começo Arsen perdeu seu primeiro round do dia, o coração bateu mais forte. No segundo round, o Armênio tentou uma outra investida que acabou não funcionando e acabou perdendo o segundo round e a luta. Medalha de prata para o armênio, que visivelmente queria mais. Mas representou com garra e esforço até o último segundo a sua nação.

Desencantamos. A Armênia de hoje é que o leitor deve se acostumar: guerreira, determinada, favorita. E saiba que as medalhas de hoje não são as primeiras da nossa história nem serão as últimas.

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