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Uma semana na Armênia: impressões e expectativas

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Barev! Vonts es? (Olá, tudo bem?), essa é uma das primeiras coisas que aprendemos quando começamos a estudar armênio, seja no Brasil ou na nossa amada Hayastan.

Como alguns de vocês já sabem, eu estou participando do programa Birthright Armenia, como voluntária.

Como já falamos aqui no Portal,  o programa oferece à armênios da Diáspora entre as idades de 21 a 32 anos a incrível oportunidade de ser um voluntário na Armênia, em diversas áreas. O programa cobre o custo da passagem, estadia em casa de família, café da manhã e aulas de armênio para aqueles que ficarem no mínimo 14 semanas participando de um voluntariado de no mínimo 30 horas semanais.

Depois de um ano planejando eu finalmente estou realizando o sonho de voltar à Armênia (vim com 2 anos de idade com meu pai, que mesmo naquela época com todas as inúmeras dificuldades queria morar na Armênia, e minha mae, então obviamente não lembro de nada) para poder contribuir, um pouquinho que seja, para o crescimento deste país tão amado. Essa é inclusive a primeira coisa que nos foi perguntada no dia da orientação no escritório do Birthright “are you ready to give back?” algo como “você está preparado para devolver?” devolver algo à Armênia, com o seu trabalho e esforço.

Decisão e voluntariado:

Eu senti que essa era a hora, não daqui a um ano ou daqui a 6 meses, mas agora e foi por isso que eu vim! Mudei todos os meus planos, usei todas as minhas economias para poder realizar esse sonho e posso dizer que não me arrependo, mesmo com todas as barreiras. Está sendo fácil? É TUDO maravilhoso? Não. Mas eu já sabia que iria ser assim. Digo isso por dois motivos: Primeiro eu não falo a língua, não tive, como muitos armênios-brasileiros o convívio ou a possibilidade de aprender armênio fosse com a família, fosse com a escola, meus avós e meu pai que eram os únicos que sabiam a língua faleceram muito cedo… Segundo, a cultura, apesar de ter evoluído bastante pelo que eu pude perceber conversando com locais e outros voluntários, não é a mesma do que a do Ocidente, portanto, quem vem de fora (todos os voluntários) ficam meio desnorteados no primeiro dia e é isso mesmo que nos explicam na orientação, Sevan (um dos coordenadores do programa), nos dizia “É normal, você deve estar pensando, ‘mas que diabos eu estou fazendo aqui?’ Se você está pensando assim, parabéns! Isso quer dizer que você é uma pessoa normal! Especialmente se você não fala o idioma, fique tranquilo, demora um tempo para assimilar tudo.” E é verdade, absolutamente todos que estavam na minha orientação não falam o idioma e todos estavam sentindo a mesma coisa no primeiro dia, uma semana passou e eu posso dizer que as coisas começam a se tornar mais familiares para mim, mesmo sabendo pouquíssimas palavras, rs.

Host family:

Eu não poderia estar mais feliz com a família que escolheram pra mim, na verdade, eu ia ficar em outra família, mas um voluntário que estava lá decidiu prolongar a estadia e então tiveram que escolher outra família pra mim e foi perfeito! A minha família é BEM moderna, minha irmã trabalha com finanças, meu irmão é DJ e minha mãe trabalha num dos maiores canais de TV daqui, a minha outra irmã que é casada e não mora na mesma casa é uma grande e renomada diretora de cinema e são todos absolutamente adoráveis. A única que fala inglês é a irmã que mora na mesma casa, você pode escolher alguém que fale alguma língua que você saiba (foi o que eu fiz, por não ter noção de como pedir algumas coisas em armênio ainda) ou não, vai de cada pessoa, mas já combinamos de que quando eu estiver um pouquinho mais avançada no armênio ela só vai falar Hayeren (armênio), hehe!

Aulas de armênio e se virando dia-a-dia:

A maioria das pessoas que falam armênio e sabem que eu não falo armênio me perguntam por que cargas d’água eu resolvi me inscrever justo no intensivo de armênio, sabendo falar apenas palavras aleatórias, rs… Eu achei que seria uma boa ideia, na metade do caminho eu comecei a achar que não era e agora quase no final (amanhã será a minha última aula) eu acho que foi bom sim, apesar de toda pressão e turbilhão de informações. Eu acredito que a maneira como a aula é organizada poderia ser melhor, mas no geral foi/está sendo muito bom sim e eu percebi isso hoje no café da manhã com a minha host family, eles falaram várias coisas e eu “pesquei” algumas palavras e eles diziam “Apres” algo como “muito bem”, fiquei menos frustrada, rs. No dia-a-dia, em Yerevan, se for algo muito específico você vai ter um pouco de dificuldade, mas se você for bom de mímica (meu caso), sempre dá certo e os armênios locais sempre tentam te ajudar ao máximo, tentam entender o que você quer com a maior paciência do mundo (salvo raras exceções), as lojas mais famosinhas no geral sempre têm um atendente que fala em inglês, o que facilita bastante.

Expectativas:

Bom, essa semana eu finalmente vou começar o meu trabalho, eu optei por trabalhar com Direitos Humanos, que é a minha paixão, estou bem ansiosa para começar. Vou trabalhar numa ONG chamada “For Equal Rights” e em maio também trabalharei na UNICEF, no setor de proteção à criança. Meu receio era de que não estaria suficientemente avançada em armênio para trabalhar nessas organizações, mas como ambas trabalham com questões internacionais, na pior das hipóteses poderei me fazer entender em inglês. A minha grande expectativa é de pelo menos conseguir falar algumas frases em armênio, mesmo num ambiente internacional, acho que aí estarei realizada, vou compartilhando tudo com vocês aqui!

Eu criei uma conta no Instagram e no Facebook separada da minha conta pessoal para poder documentar cada passo dessa minha jornada aqui na Armênia, para quem quiser seguir é @armeniabyindjaian nas duas redes sociais. Claro que também estarei compartilhando bastante coisa aqui no Portal, canal que não só me inspirou a ir atrás da minha armenidade com mais força, mas que também me dá total liberdade para escrever sobre assuntos relacionados à Armênia e Direitos Humanos.

Espero que eu consiga inspirar outros j0vens armênios do Brasil a participarem deste incrível programa, hoje somos 4 ao mesmo tempo aqui na Armênia (logo logo farei uma matéria falando sobre o que cada um de nós está fazendo e impressões), o que é um feito histórico! Temos sempre vários voluntários dos Estados Unidos aqui ao mesmo tempo, mas QUATRO brasileiros ao mesmo tempo realmente é inédito!

Espero que vocês acompanhem e tirem todas as suas dúvidas, eu estou mais do que aberta para poder saná-las, vocês tem todos os meios de contato para me mandar mensagem, então fiquem à vontade! Eu sei que muitas vezes nos sentimos muitos distantes da Armênia, eu senti isso por anos morando em uma cidade em que só eu ou mais duas pessoas eram armênias, que não tínhamos um clube ou quaquer outro meio de nos reunir, ou por não falarmos a língua, ou por não entendermos/conhecermos os costumes, mas ninguém é mais armênio do que o outro porque fala/entende o idioma, ou porque está próximo ou distante da cultura.

Ser armênio é algo que corre em nossas veias e se você sente esse sentimento pulsando dentro de você, não deixe ele se apagar, cultive-o, nós precisamos de armênios dispostos a lutar pela nossa Pátria, nós não estaríamos aqui se não fosse pela luta de nossos antepassados, nós devemos isso à nós mesmos e principalmente à eles, refugiados que apenas deixaram este país porque NÃO tinham opção.

Batchig (Beijos)!

 

 

Maria Carolina Chaves Indjaian Colaboradora. Carioca da gema que viveu em Curitiba desde criança e agora é cidadã do mundo. É advogada, aficcionada por Direitos Humanos e defensora de minorias. O coração e o sangue sempre falam mais alto no que diz respeito à Armênia.

Comment(4)

  1. Izabel jan! Muito obrigada pelas palavras, com certeza, estou aprendendo muito! Cada viagem é uma descoberta nova, mas essa é especial! Batchig!

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