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Clube Armênio realiza comemoração de 4510 anos do Navasart, o Ano Novo Armênio

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No dia 6 de Agosto, a SAMA – Clube Armênio realiza evento em comemoração aos quatro mil quinhentos e dez anos do Navasart (Նաւասարդ). O evento oferecerá comidas típicas armênias, além de atividades culturais e esportivas.

Com entrada gratuita, a festa contará com barracas gastronômicas, atividades e oficinas infantis de pintura, percussão e canto, dança armênia, além de jogos tradicionais de Navasart (leia a lista mais abaixo):

– Barracas Gastronômicas
• Harissá (հարիսա)
• Chaurmá (շաուրմա)
• Lavach (լաւաշ)
• Falafel (ֆալաֆել)
• Katá (գաթա) e outros doces armênios

– Barracas Culturais
• Artesanato típico armênio
• Leitura da borra do café

– Atividades e Oficinas Infantis
• Teatro representando a história de Hayg e Pel
• Oficina de Pintura
• Oficina de Dança Armênia
• Oficina de Percussão e Canto

– Jogos de Navassart
Categoria infantil:
• Torneio de Braço de Ferro
• Torneio de Cabo de Guerra
• Torneio de Arco e Flecha
Categoria adulto:
• Torneio de Gamão (em breve mais informações)

Para mais infos do evento, clique aqui!

NAVASART
O Navasart é o Ano Novo segundo o antigo calendário Armênio e nesta data são celebradas festividades e homenagens. Segundo a lenda, nesta data Hayg derrotou Pel com uma flechada para dar início à Nação Armênia.

HAIG e PEL

 

Vários séculos antes da nossa era, na região montanhosa que mais tarde iam chamar de Armênia, vivia Haig.

Haig descendia da raça dos gigantes que, desde sempre, povoavam essa parte do mundo.

Tinha sido eleito chefe da sua tribo cujas mulheres, belas, esbeltas, distintas e inteligentes sentiam orgulho de seus homens, altos, fortes, generosos e valentes. Dentre eles, Haig era o mais forte e o mais valente.

Tinha duas paixões na vida: sua esposa Archaluis (Aurora em português) e a caça. Porém, o que mais prezava, mais do que sua própria vida, era a liberdade.

A liberdade e a caça não são incompatíveis, muito pelo contrário.

Assim, Haig era um homem feliz, cercado de sua esposa e dos membros da sua família, que somavam trezentas pessoas.

De manhã cedo os homens iam caçar e as mulheres cuidavam das crianças e das refeições. À noite toda a tribo se reunia ao redor de uma fogueira. As crianças sentavam em volta dos anciãos para escutar, boquiabertos, contos maravilhosos. As mulheres e homens cantavam e dançavam.

Haig e os membros da família, que viviam da caça, não eram ricos e no inverno, quando a caça escasseava, passavam dias difíceis. Mas isso não afetava em nada a alegria e a solidariedade, pois sabiam que em contrapartida eles se beneficiavam de uma sina extraordinária: a de viver em paz e livres.

 Mais ao sul, num rico e fértil vale, vivia um outro chefe chamado Pel, que também era alto e forte, mas a semelhança parava aí, o orgulho, a vaidade, a sede de dominar o atormentavam.

Prometera a si mesmo que seria o único chefe de todas as tribos. Todos os outros chefes seriam seus vassalos. Como era rico e tinha à sua disposição muitos soldados, pensava que seria fácil concretizar seu sonho.

Sendo Haig seu vizinho mais próximo, Pel decidiu começar por ele. Mandou uns emissários portadores da seguinte mensagem: “Comenta-se que você é um homem inteligente, por isso, não entendo até hoje por que teima em viver nessas tuas montanhas áridas das quais não tirará nenhum proveito. Você vive no dia a dia graças à caça que pode não ser proveitosa em todas as estações. Por que impor essas provações aos membros da tua tribo? Desça dessas montanhas ingratas, aceita minha suserania e você viverá feliz até o fim da tua vida.”

Haig era um homem simples e sem malícia, mas não era bobo. Aliás, não precisava ser tão inteligente assim para entender o conteúdo da mensagem: era uma vida próspera em troca da liberdade.

Haig não hesitou nem um segundo e disse aos emissários:

_ “Digam a Pel que agradeço sua solicitude. Antes viver livre do que aceitar ser um escravo rico.”

Essa resposta deixou Pel enfurecido. Não concebia que alguém pudesse lhe resistir. Quem pensa que é, esse Haig? Como ousa responder com tanta insolência?

Já que o dinheiro não conseguira persuadi-lo, Pel decidiu utilizar a força.

Então, reunindo seus guerreiros, marchou para se encontrar com Haig.

Este, estava caçando quando o preveniram da chegada de Pel com seus guerreiros. Imediatamente, Haig reuniu também os seus, que eram muito menos. Mas não sentiu a necessidade de explicar-lhes por que deveriam lutar até morrer. Eles também sabiam, que se por infelicidade perdessem a liberdade,  a vida não teria mais sentido.

O choque entre os dois exércitos foi terrível.

Os soldados de Haig lutavam por um ideal mais precioso que a própria vida. Mas os homens de Pel eram mais numerosos e mais bem equipados.

Mortos e feridos acumulavam-se a cada instante.

De repente Haig e Pel depararam-se face a face. Há tempo que estavam se procurando. Pel, com um sorriso sardônico, precipitou-se sobre Haig, sabendo que se matasse seu adversário, os outros largariam suas armas. Mas Haig estava atento.

“Os soldados de Pel são uns mercenários, lutam por dinheiro. Se seu chefe morrer, abandonarão a luta e fugirão. Preciso eliminar Pel de qualquer jeito.”

O combate dos dois chefes foi longo e penoso, pois os dois eram dotados de uma força prodigiosa.

A superioridade de Haig repousava no ideal de combater por uma causa justa.

De repente, Pel levou um tremendo golpe e caiu. Haig levantou a espada e quando ia desferir o golpe fatal, Pel, aterrorizado pela determinação que leu nos olhos daquele que ia matá-lo, pulou e se pôs a correr.

Tão rápido quanto Pel, Haig jogou sua espada no chão, pegou seu arco, uma flecha e esperou que Pel, tranqüilizado pela distância que os separava, voltasse para trás.

Foi exatamente esse momento que Haig escolheu para apontar o coração do fujão. A flecha foi lançada e Pel desabou.

Seus soldados largaram as armas e fugiram.

Haig ordenou para que não perseguissem os fugitivos, esses mercenários não voltariam tão logo…

No local desta batalha, Haig mandou construir uma cidade que ele chamou de Haigachen.[1]

O vale onde foram enterrados os heróis daquele dia memorável foi batizado Hayots Tsor[2],nome que designou, mais tarde, a região inteira.

Centenas e centenas de habitantes de outras províncias, desejosos de viver sob a proteção de um chefe como Haig, convergiram para a cidade. Assim, a pequena tribo de outrora se multiplicou e após algumas gerações tomou as proporções de uma nação, o país de HAIASDAN, cujos habitantes chamavam-se Hai, homenageando o seu ilustre ancestral.

[1] Edificado por HAIG

[2] Vale dos Hais


Créditos imagem e história: Charles Apovian

Armen Kevork Pamboukdjian Editor-chefe e redator do Estação Armênia. Nascido na capital Paulista, é formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, em skate pela faculdade das ruas e em causa armênia pela universidade da luta e resistência.

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