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Azerbaijão estado genocida: Os massacres de Sumgait e as mentiras de Khodjali

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Sumgait e Khodjali

Talvez esses nomes não sejam muito familiares aos descendentes de armênios que moram aqui no Brasil.

Sumgait é uma cidade no Azerbaijão onde, entre 1988 e 1989, moravam aproximadamente 18.000 armênios e cerca de 250.000 azerbaijanos. A principal atividade da cidade é a indústria petrolífera, que explora as reservas impressionantes do Mar Cáspio. Se tiverem essa curiosidade vejam no mapa: Sumgait fica muito perto de Baku, capital do Azerbaijão. Muitos armênios e suas famílias foram morar em Sumgait para trabalhar nessa indústria. Afinal todos eram cidadãos soviéticos. A crise soviética tinha sido escancarada por Mikhail Gorbatchev em 1985 e nem a Perestroika – uma tentativa de reforma econômica – promoveu uma reação da produção. A crise das nacionalidades, uma das muitas reprimidas ao longo de 70 anos de governo soviético, só estava começando.

Glasnost – programa de abertura política de Gorbatchev – funcionou como um catalisador de muitas reivindicações territoriais e nacionais. Durante décadas, o Azerbaijão boicotou, prejudicou e reprimiu a antiga região autônoma de Nagorno Karabaghhoje República de Karabagh.

Os corajosos armênios Karabaghtsi tomaram a frente de um movimento de libertação que uniu Armênia-Karabagh-Diáspora, tripé esse que é a base da história contemporânea da nossa gente. Com o movimento por anexação à Armênia nas ruas em Stepanakert, Yerevan e outras cidades o lado mais sujo, as lideranças azerbaijanas emergiram com seus perversos atos.

Como retaliação, governantes azerbaijanos de Sumgait declararam o bairro armênio como uma espécie de zona fora de sua jurisdição. Era a senha para os assassinos azeris (ligados a movimentos nacionalistas) iniciarem uma perseguição em massa, de casa em casa, de rua em rua contra a população armênia.

Aproximadamente 1.000 armênios foram mortos em três dias (26, 27 e 28 de fevereiro de 1988). Centenas de famílias fugiram desesperadamente.  (assista ao vídeo abaixo)

Naquele mesmo período, tropas azerbaijanas começam a atacar vilas agrícolas armênias em Karabagh, Shushi e Stepanakert. As 3 cidades foram bombardeadas violentamente em meados de 1988, obrigando sua população, e as de outras localidades, a fugirem rapidamente. Essa situação somente ampliou a certeza da nação Armênia de que era necessário lutar por Karabagh. A população começa a organizar sua auto-defesa por volta de 1989/1990.

Os grupos de fedays (combatentes voluntários) começam a se organizar e comandantes como Vasken Sargysian, Shahen Meghrian, Monte Melkonian, Samuel Babayan, Arkady Tadevossian, Tatul Krpeyan, Robert Kotcharian, Vitaly Balassanian e outros criam o Exercito de Defesa de Karabagh. Os primeiros meses foram muito duros. Os azerbaijanos atacavam com muita força e apoio velado de mercenários do exército vermelho.

Pouco a pouco as forças armênias se organizaram e recebiam reforços da Armênia e da diáspora. A força do povo armênio começa a suplantar o intuito genocida do inimigo. As tropas começam a avançar de forma organizada e as estratégias passam a ter sucesso. O Exército dos Armênios nasceu para defender seu povo e não massacrar ninguém. A agressão azerbaijana começava a receber uma resposta à altura.

Foi nesse contexto que os comandantes armênios decidiram tomar a pequena cidade de Khojaly, onde estava localizado o único aeroporto da região. Isso impediria que a aviação azerbaijana usasse esse aeroporto para atacar Stepanakert, distante poucos quilômetros. Os comandantes armênios avisaram que o ataque ocorreria em um claro sinal para que o governo azerbaijano retirasse a população civil. A própria disposição das tropas armênias em torno de Khojaly mostrava a disponibilidade de um corredor humanitário para que a população saísse. Inescrupulosos comandantes azerbaijanos prenderam alguns civis que foram utilizados como escudos humanos. As tropas armênias atacaram e a vitória foi conquistada.

O comportamento covarde das tropas azerbaijanas gerou uma vergonha tão grande que os governos azerbaijanos que se seguiram iniciaram uma campanha mentirosa e inescrupulosa. Eles afirmam que as tropas armênias teriam cometido um genocídio em Khojaly. Entidades internacionais de direitos humanos, ainda hoje, não aceitam essa falsa argumentação.

Daquele ponto em diante, a guerra pendeu para o lado armênio. A garra das tropas armênias passou a ser temida pelos soldados azerbaijanos. Mercenários tchetchenos fugiram em maio de 1992, quando as tropas armênias capturaram Shushi em uma batalha épica. Quanto mais se aproximava a vitória final dos armênios, maiores eram as difamações e mentiras do governo azerbaijano.

Somente a nossa ação contundente, nossa movimentação política eficaz e moderna pode deter essas absurdas afirmações. Nem Turquia nem Azerbaijão conseguirão esmagar a verdade. Os azerbaijanos já esmagamos uma vez e a Turquia vem, pouco a pouco, se curvando com nossos golpes certeiros.

Em breve cairá!

*James Onnig Tamdjian é colunista do Estação Armênia e suas opiniões não refletem necessariamente às do portal.

James Onnig Tamdjian Professor de Geografia e Geopolítica. Fleumático, colérico, sanguíneo e melancólico.

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