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Turcos ameaçam membros do Parlamento alemão por conta da resolução em reconhecimento ao Genocídio Armênio a ser votada na quinta-feira (02)

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Bundestag

Turcos ameaçam membros do Parlamento alemão através de e-mails, Twitter e Facebook por conta da resolução que reconhecerá o Genocídio Armênio a ser votada nesta quinta feira (02).

O presidente do partido Alemães Verdes, de origem turca, Cem Ozdemir, disse à ARD que o chamaram de “Traidor”, “porco da Armênia”, “filho da p***”, “terrorista armênio” e até mesmo “nazista” e que ainda recebeu uma carta dizendo que “mais de 90 por cento da população turca rejeita justamente a acusação de genocídio e interpreta como calúnia.” Em seguida, ele adverte que, se a resolução for aprovada, ele irá “envenenar a coexistência pacífica entre alemães e turcos neste país, e também na Turquia”, informou a agência de notícias alemã Spiegel.

Via RT

Tradução: Maria Carolina Chaves Indjaian 


Milhares de e-mails foram supostamente enviados pela comunidade turca aos deputados alemães, ameaçando os políticos e conectando seus nomes com as mais recentes tentativas de Berlim para reconhecer o Genocídio Armênio de 1915.

Berlim está planejando adotar uma resolução, intitulada “Memória e comemoração do Genocídio dos armênios e outras minorias cristãs nos anos 1915 e 1916” nesta quinta-feira.

A legislação, que tencionou as relações germano- turcas, é em grande parte apoiada pela oposição Verdes na Alemanha, bloco conservador de Merkel e social-democratas.

O documento tem a palavra “genocídio ” em seu título e do texto que diz “o destino dos armênios é exemplar na história de extermínio em massa, limpeza étnica, deportações e sim, genocídio, que marcou o século 20 de uma maneira tão terrível.”

O documento também menciona o papel “inglório” do Império Alemão, que era aliado ao dos otomanos na Primeira Guerra Mundial e não fez nada para parar as atrocidades.

Mais de 500 organizações turcas diferentes na Alemanha enviaram e-mails para seus deputados locais e jornalistas que cobrem o assunto, a alemã Spiegel Online informou que cidadãos turcos também atingiram particularmente através da mídia social.

Alguns e-mails passaram da conta, intimidando políticos e ameaçando a vida dos jornalistas.

Presidente dos Alemães Verdes, Cem Ozdemir, que é de origem turca, foi um dos deputados que receberam mensagens abusivas via e-mail, Twitter e Facebook.

“São sempre os mesmos termos: “Traidor”,”porco da Armênia”, “filho da puta”, “terrorista armênio” e até mesmo “nazista”, disse à ARD.

A carta mais comum enviou declarou: “Mais de 90 por cento da população turca rejeita justamente a acusação de Genocídio e interpreta como calúnia.” Em seguida, ele adverte que, se a resolução for aprovada, ele irá “envenenar a coexistência pacífica entre alemães e turcos neste país, e também na Turquia”, informou Spiegel.

Jornalistas que cobrem as tentativas da Alemanha de reconhecer o Genocídio Armênio também receberam ameaças, tais como: “Você vai ser eliminado”, ou “Seu fim será como o de Hrant Dink (jornalista turco-armênio que foi baleado em janeiro de 2007 por extremistas de direita em Istambul).

Armênios também enviaram cartas de apoio à resolução. “O reconhecimento do Genocídio Armênio é importante para evitar outros genocídios no futuro”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Armênia, Tigran Balayan à AFP.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan entrou na conversa na terça-feira, alertando a Alemanha que se prosseguir com sua resolução do Genocídio Armênio, irá prejudicar as relações bilaterais entre os dois países.

“Se a Alemanha está a se enganar por isto, então laços bilaterais diplomáticos, econômicos, comerciais, políticos e militares – nós dois somos países da OTAN – serão danificados”, Erdogan disse aos repórteres.

A votação parlamentar foi originalmente programada para ter espaço há um ano atrás para marcar o 100º aniversário do Genocídio, mas devido a preocupações com as consequências com a Turquia, aliados da chanceler alemã Angela Merkel adiaram a jogada.

Os assassinatos em massa começaram em 24 de abril de 1915, quando 250 intelectuais armênios foram detidos pelas autoridades otomanas e mais tarde executados em seu capital, Constantinopla, que agora é atual Istambul.

A maioria dos armênios do Império Otomano foram posteriormente deslocados, deportados ou colocados em campos de concentração, ostensivamente por se rebelarem contra os otomanos e se aliarem aos russos durante a Primeira Guerra Mundial. Isso afetou a vida de 1,5 milhão de armênios.

No início deste ano, milhares de pessoas ao redor do mundo foram às ruas para comemorar o massacre de 1915.

A Turquia – sucessora do Império Otomano – concorda que muitos armênios foram maltratados na ocasião, mas afirma que o número de vítimas tem sido muito exagerado e que não houve “genocídio”.

Maria Carolina Chaves Indjaian Colaboradora. Carioca da gema que viveu em Curitiba desde criança e agora mora em Toronto. É advogada, formada em Direito pela Universidade Positivo e aficcionada por Direitos Humanos. O coração e o sangue sempre falam mais alto no que diz respeito à Armênia.

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