Home Hamazkayin Nairi no Hamazkayin | 7º dia: Yeraplur, Dzidzernagapert e mais…
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Nairi no Hamazkayin | 7º dia: Yeraplur, Dzidzernagapert e mais…

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 Sétimo dia do Fórum Estudantil de Verão do Hamazkayin (dia 25/07)

 

Nairi 2Por Nairi Zadikian:

Leia todos os relatos em -> www.estacaoarmenia.com.br/hamazkayinn

 


 

O sétimo dia de Fórum foi em lembrança àqueles que se foram por nós.

10585745_10204187517192021_634302535_nAqueles que se foram para que hoje nós, jovens armênios espalhados por todo o mundo, tivéssemos a oportunidade de nos unir na terra em que nossos antepassados viveram, falando o idioma que eles morreram defendendo, vivendo a fé da qual eles nunca se distanciaram, dançando a dança que reflete a força e a alma da linha de frente das nossas vitoriosas batalhas. Enfim… Não podia ter sido diferente:  Assim que pisei no Dzidzernagapert (monumento em homenagem aos mártires do Genocídio Armênio, fiquei arrepiada da cabeça aos pés!

A alma dos mártires a quem aquele monumento lembra estava viva entre nós, estava nos envolvendo. Dois sentimentos fundidos tomavam a minha alma: a mais profunda tristeza, por saber o que aquele monumento significava e uma tranquilidade também.

A mais profunda tristeza por lembrar da triste história que minha família e tantas outras viveram. A mais profunda tristeza era por saber que aquele Ararat imponente e majestoso, que me abraçava toda vez que eu o olhava, estava atrás de uma fronteira que meu coração não quer aceitar. A mais profunda tristeza por ver que aquele espaço entre spyurk (diáspora) e Hayasdan (Armênia) ainda está lá.

Por outro lado, havia um sentimento bom. E ele conseguiu tomar minha alma. Foi no momento em que vi a expressão de cada um dos meus amigos depositando aquelas flores em volta da chama. Foi no momento em que um de nós, começou a entoar o Hayr Mer (Pai nosso). Aquele eco dominou minhas veias, e meu sangue começou a ferver de um jeito inexplicável. Foi no momento quando cantamos Der Voghormya (Senhor, tende piedade)… E o mundo parecia querer parar naquele momento. Foi no momento em que encostei minha mão na pedra na que está escrito “Hajin” e prometi, pensando na minha avó e na sua família que teve que fugir de lá, que farei a diferença pela armenidade e jamais deixarei que aquela chama seja em vão.

Tirando os detalhes do que senti ou deixei de sentir, visitamos também um pequeno acervo do Museu do Genocídio, que fica no mesmo complexo, já que o mesmo está em reforma para estar pronto pro centenário que se completa no ano que vem (2015).

O dia em memória aos que se foram não cessou aí.

Fomos ao Yeraplur, o mausoléu aonde descansam os nossos bravos e inesquecíveis heróis de Karabagh. Fomos acompanhados por um militar, que transmitia pelos olhos toda a dor e orgulho por aqueles que deitavam sob nossos pés. Pessoas como Vazgen Sarkissian, Zoravar Antranik, Monte Melkonian, Viken Zarkarian e Sose Mayrig estavam lá para serem eternizados na história do nosso povo.

Não é com pouca frequência que jovens de 18 a 20 anos chegam lá, para serem enterrados junto aos que foram responsáveis pela libertação de Artsakh no início dos anos 90,  como é no caso de Viken, que deixou o Líbano e doou sua vida pela libertação de nossa terra. Isso realmente me doeu, me corroeu e está latejando até agora dentro de mim. Todos que estavam lá tinham mais ou menos a nossa idade. TODOS são heróis. Heróis de verdade. Qualquer outra coisa que eu dissesse seria redundância.

Depois do almoço, tivemos uma tarde muito agradável no GrandSport de Erevan, o que se assemelha aos clubes particulares que conhecemos. Tinham time de basquete, contra o qual nós disputamos uma partida (e perdemos por pouco!), academia, spa, piscinas, salas de dança, entre outros.

No fim da tarde fomos presenteados com uma surpresa muito legal: na frente do Cascad (escadaria com vista para toda a capital, Yerevan), o grupo de danças Garin, da Armenia, estava dando uma aula aberta de surch bar… Era só chegar lá, dar a mão pra alguém e ir aprendendo. Foi muito legal, valeu muito a pena, e lembrei muito dos meus amigos do Grupo de Danças Típicas Armênias, o Kilikia da cidade de São Paulo, do qual orgulhosamente faço parte!

Terminamos a noite, apreciando a linda Yerevan (não é a toa que existe a música “Yerevani kisherneri” (as noites de Yerevan), o clima é incrível, as ruas nunca estão vazias, sempre estão cheias de jovens… Se divertindo, cantando, dançando! Isso, sim, é Armenia!

Quero que todos, assim como eu, tenham a oportunidade de conhecê-la como ela realmente é: maravilhosa!

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