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Intolerância turca gera crise com a Austrália

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O governo turco conseguiu transformar uma cerimônia rememorando o centenário da Batalha de Gallipoli, em um imbróglio diplomático ao proibir parlamentares australianos especialmente do estado da Nova Gales do Sul. O motivo é que parlamentares desse estado australiano reconheceram recentemente o Genocídio Armênio como um fato histórico incontestável e condenaram o negacionismo turco.

Mas o que foi a Batalha de Gallipoli, também conhecida como Batalha do Dardanelos? O que ela tem haver com os australianos, deve estar se perguntado o leitor do Portal.

Imagem: Reprodução de vídeo da rede ABC
Imagem: Reprodução de vídeo da rede ABC

Com o objetivo de tomar Istambul durante a I Guerra(1914-1918), a batalha de Gallipoli, realizada entre 25 de abril de 1915 e 9 janeiro de 1916, provocou a morte de cerca de 43 mil britânicos, 15 mil franceses, 8.700 australianos e 2.700 soldados da Nova Zelândia. Esta é considerada a primeira batalha na qual as forças australianos e neozelandesas, que formaram a ANZAC(Australian and New Zeland Arm Corps.), tomaram parte.

Todo os anos, descendentes dos australianos e neozelandeses que pereceram fazem cerimônias na cidade para rememorar seus heróis que faziam parte das forças britânicas na batalha. Muitos especialistas caracterizam a batalha de Galllipoli com o nexo fundador da identidade dos dois países. Nesses emotivos encontros governantes, parlamentares e representantes da sociedade civil australiana relembram o ANZAC DAY, data reverenciada pelas duas nações.

Os parlamentares da Nova Gales do Sul reconheceram o genocídio armênio baseado em evidências históricas. Enquanto os soldados australianos caiam tombados em batalha, milhões de armênios eram mortos no interior da Turquia e no Deserto de Der El Zor. Uma das narrativas mais comuns, daqueles dias de 1915, entre os soldados australianos sobreviventes, era de que eles eram capturados pelo exército turco otomano e eram levados para Igrejas Armênias esvaziadas dias antes e que serviram de prisão para milhares deles.

Outra narrativa impressionante é o testemunho de centenas de soldados capturados, que presenciaram longas filas de armênios que estavam sendo deportados e muitos agredidos e mortos durante essas terríveis jornadas. A intolerância turca beira o ridículo quando o Primeiro Ministro Ahmet Davotoglu fez uma declaração ameaçadora para a imprensa: “Pessoas que tentam prejudicar o espírito conciliador de Gallipoli não terão lugar nas cerimônias onde honramos os tombados turcos e australianos dessa batalha. Não queremos ver em Gallipoli pessoas que traíram a nossa confiança” se referindo claramente aos parlamentares de Nova Gales do Sul. O discurso da violência está sendo reproduzido até pelo Conselho Municipal de Gallipoli que em outro comunicado expressou: “Não vamos perdoar aqueles que nos traíram e estão por trás de decisões que ofendem a moral turca” .

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