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Charles Aznavour: embaixador da Armênia

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O Globo –

Não sei se o leitor compartilha da mesma opinião, mas já não aguento mais ler sobre o Michael Jackson. Eu sei que americano foi importante para a música, mas só consigo me lembrar do seu rosto de zumbi com batom vermelho ou do macaco “Bubbles”, que chegou a lhe dar umas mordidas na cama.

Mas agora até os negros já estão o chamando de “irmão”. E no rádio escuto pela enésima vez “Billie Jean”…

Prefiro falar de outras estrelas. Que tal Charles Aznavour? O rei dos cantores românticos franceses ainda está vivo, continua cantando como um rouxinol e também é politicamente correto.

Hoje, por exemplo, ele recebeu do presidente da Confederação Helvética, Hans-Rudolf Merz, e da ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, seu credenciamento como embaixador da Armênia, o país de origem dos seus pais, na Suíça.

Aos 85 anos, Aznavour não esconde de ninguém suas verdadeiras origens. “Minhas raízes estão na Armênia. A França é a minha pátria”, costuma dizer. Há dez anos vive na Suíça. Nada mais conveniente do que representar na corte diplomática helvética o pequeno país ao leste da Turquia.

Para quem não sabe, o cantor sempre se interessou pela política. Quando jovem, se identificava com o comunismo. Depois do terremoto que quase destruiu a Armênia em 1988, ele criou a fundação “Aznavour para a Armênia” e chegou mesmo a gravar uma canção – “Para você Armênia” (1989) – com mais de oitenta artistas. Tanta paixão foi premiada com o título de “Herói nacional” e uma praça com seu nome no centro de Erevan, a capital armênia.

Sua predestinação como diplomata talvez possa ser confirmada pelas roupas. Aznavour já ganhou um “Prêmio de Elegância” como homem melhor vestido na categoria pop. Se quiser convencer no futuro outros governos a firmar acordos, acho que ele só precisa cantar o clássico “Que c’est riste Venise” (ver o vídeo abaixo). Até as pedras chorariam…

Charles aznavour

Foto: Charles Aznavour em Montreal, abril de 2009 (fotógrafo: Chantal Poirier)

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