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Catedral armênia recupera esplendor

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estadao.com.br

Quem passa apressado pela movimentada Avenida Santos Dumont, na região central de São Paulo, nem sempre repara na igreja de pedra e cúpulas octogonais. Com 62 anos de história, a Catedral Apostólica Armênia de São Paulo – São Jorge, ponto de encontro da maioria dos descendentes de armênios na capital, acaba de passar por uma reforma de dois anos.”A obra estava prevista para durar seis meses, mas acabou demorando mais”, diz o engenheiro Nelson Nersessian, que casou e foi batizado na igreja e comandou o restauro. Conforme a obra avançava, descobriu-se a necessidade de ampliar a reforma, daí o atraso. A intervenção incluiu cobertura das cúpulas, impermeabilização das paredes, pintura de painéis internos e altar e nova iluminação.Bancada por uma família que não quer se identificar nem revelar quanto gastou, a obra atacou o maior problema da igreja nessas seis décadas – as infiltrações. Revestida de pedras (que absorvem água), a catedral já havia passado por duas grandes reformas, em 1980 e 1996. Para contenção, as duas cúpulas de pedra foram cobertas de cobre. E a estrutura que sustentava o forro, também comprometida apesar da madeira nobre, foi recuperada. As paredes receberam várias camadas de impermeabilizante.”Já avisei que é preciso aplicar o produto selante em intervalos de três a quatro anos”, adverte Nersessian.Obras de arte. Por dentro, painéis também passaram por revisão.

Todas as imagens foram repintadas, como as dos apóstolos São Judas Tadeu e São Bartolomeu, que levaram o cristianismo para a Armênia.

Para suavizar a cor dos pórticos, nos quais tons de marrom prevaleciam, uma pintura creme foi aplicada para proporcionar verticalidade e valorizar os vitrais. Vitrais que também foram destacados pela nova iluminação. Os da lateral receberam iluminação de fora para dentro, para que seja possível a quem estiver no interior da igreja contemplá-los à noite. Já os da frente, de dentro para fora, para que os passantes da Avenida Santos Dumont possam apreciá-los.

O arcebispo da catedral, Datev Karibian, surpreendeu-se com os resultados da obra. “Não esperava tanto. A comunidade armênia pode orgulhar-se de ter a mais bela igreja da América Latina”, comemora.Imigração. Em 1915, 1,5 milhão de armênios foram mortos pelo Império Otomano. O genocídio, que não é reconhecido pelos Estados Unidos por ser aliado da Turquia (herdeira do Império Otomano), é chamado de causa armênia e até hoje mobiliza a comunidade.Em 1922, o país foi integrado à União Soviética, que proibia a prática religiosa. “Graças ao bom relacionamento do patriarca supremo, Vazken I (que assumiu o cargo em 1955), a religião não foi totalmente proibida no país”, lembra o arcebispo.A partir daí, armênios começaram a emigrar para todo o mundo. São Paulo concentra 90% das cerca de 50 mil pessoas da colônia no Brasil. As primeiras a chegar estabeleceram-se perto do Mercado Municipal, no centro. Não por acaso, explica Nersessian, a catedral está localizada nessa área. “Depois que enriqueceram, os armênios se espalharam pela cidade, mas boa parte das cerimônias feitas pelos descendentes continua ali.”

Acredita-se que a catedral leve o nome de São Jorge por ser o santo de devoção do benfeitor – que também nunca teve o nome divulgado – que viabilizou sua construção, em 1945. Na época, a torre maior ainda não estava na planta original, mas o padre Gabriel Samuelian a incluiu.Para 2011, a comunidade espera importante visita: o patriarca Karekin II deve vir ao Brasil em maio.

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