A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece de 15 a 29 de outubro de 2026 e traz uma seleção de 11 filmes armênios, entre obras restauradas de mestres e produções contemporâneas. O Armenologia, Instituto de Estudos Armênios do Brasil, é o patrono desta edição de 50 anos do festival, criado em 1977 pelo crítico de cinema Leon Chadarevian, conhecido como Leon Cakoff, e hoje dirigido por Renata Almeida. Foi pela Mostra que os primeiros filmes armênios soviéticos e da diáspora chegaram ao público brasileiro, com obras de Paradjanov, Pelechian, Guedikian, Malyan e Egoyan, entre outros.
Confira abaixo os filmes armênios em cartaz e seus horários. A programação completa e os ingressos estão no site oficial do festival.
_
Aqui, em Outro Lugar
(Ici, ailleurs), de Comes Chahbazian. Bélgica e Armênia, 2026, documentário, 67 min.
Em julho de 2023, Nagorno-Karabakh (Artsakh) vivia há sete meses sob bloqueio do Azerbaijão. Diante da aproximação da guerra, o cineasta Comes Chahbazian pede ao amigo Artsiv que registre o cotidiano de sua família: a esposa Tatev e os cinco filhos. Por meio de imagens íntimas e delicadas, o documentário retrata a vida sob cerco, a resistência silenciosa e a iminência do deslocamento forçado. Dois meses depois, a guerra eclode, transformando para sempre a vida dessa família armênia
Nascido em Beirute, no Líbano, durante o início da Guerra Civil Libanesa, Comes Chahbazian mudou-se para a Bélgica aos 15 anos. Cineasta autodidata, construiu uma trajetória marcada por documentários que exploram memória, identidade e pertencimento. A Armênia ocupa um lugar fundamental em sua obra e em sua história pessoal. Atualmente, vive e trabalha em Bruxelas.
Sessões:
16/10 | 17h15 | Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
20/10 | 15h | Cine Satyros Bijou
22/10 | 14h | Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 5
24/10 | 18h45 | Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 4
Na Terra de Arto
(Le Pays d’Arto), de Tamara Stepanyan. França e Armênia, 2025, ficção, 104 min.
Céline chega pela primeira vez à Armênia para regularizar a morte de seu marido, Arto. Ao descobrir que ele mentiu sobre sua identidade, seu passado e seu envolvimento em uma guerra que parece nunca terminar, ela inicia uma jornada em busca da verdade. Entre memórias, segredos e as marcas deixadas pelos conflitos, o filme constrói uma reflexão sensível sobre luto, identidade, memória e as feridas que a guerra mantém abertas.
Tamara Stepanyan é uma cineasta armênia cuja obra explora temas como memória, identidade, história e pertencimento. Após realizar documentários, entre eles Meus Fantasmas Armênios, a diretora estreia na ficção com Na Terra de Arto, uma coprodução franco-armênia que coloca a Armênia no centro de uma narrativa sobre perdas pessoais e as marcas duradouras dos conflitos. O filme teve sua estreia mundial como longa de abertura do Festival de Locarno de 2025.
Sessões:
25/10 | 16h | Espaço Petrobras de Cinema, Sala 2
27/10 | 16h | Cine Tutu
28/10 | 15h20 | Reserva Cultural, Sala 1
29/10 | 18h15 | Instituto Moreira Salles (IMS Paulista)
Mundo Invisível
De Atom Egoyan e outros. Brasil, 2012, ficção, 70 min, Apresentação Especial.

Filme coletivo no qual cineastas refletem sobre a invisibilidade na sociedade atual. Em seu segmento, “Yerevan: O Visível”, o diretor Atom Egoyan acompanha a jornada de um homem que viaja à capital da Armênia para investigar o desaparecimento de seu avô. Com fotos e um cartaz em mãos, ele busca pistas e, na Praça da República, um encontro inesperado traz à tona a memória de uma repressão política e de um homem morto. o FILME registra ainda a visita de Leon Cakoff à Armênia.
Atom Egoyan é um dos cineastas mais reconhecidos da diáspora armênia. Nascido em 1960, no Cairo, Egito, em uma família armênia, cresceu no Canadá e construiu uma carreira internacional marcada por filmes que exploram memória, identidade, trauma e as relações entre realidade e representação. Entre suas obras mais conhecidas estão Exótica (1994) e O Doce Amanhã (1997), este último indicado a dois Oscars. Em Mundo Invisível, sua ligação com a história armênia ganha destaque ao abordar o passado por meio das fotografias, das lembranças e das histórias que correm o risco de desaparecer.
Sessão:
23/10 | 12h30 | Solar, Sala Petrobras
Projeto Pelechian 1
Quatro curtas de Artavazd Pelechian em cópias restauradas em 4K.

Patrulha da Montanha (1964) — 10 min
Nas montanhas da Armênia, trabalhadores e seus cavalos enfrentam neve, frio extremo e terrenos perigosos para garantir a passagem dos trens. Um retrato da resistência humana, do trabalho coletivo e da luta cotidiana contra as forças da natureza.
Terra do Povo (1966) — 10 min
Uma reflexão visual sobre a humanidade, o trabalho e o pertencimento. Por meio de imagens de atividades cotidianas e da presença humana na paisagem, Pelechian constrói uma homenagem à relação entre as pessoas e a terra que habitam.
Nós (1969) — 27 min
Uma das obras mais marcantes do cineasta, o filme aborda a identidade e o destino do povo armênio. Pelechian constrói um retrato de um povo marcado por tragédias, mas também por sua capacidade de sobreviver e preservar sua identidade.
As Estações (1975) — 31 min
Considerado uma obra-prima do diretor, o documentário acompanha a vida de camponeses e pastores armênios em sua luta diária com as forças da natureza.
Sessões:
24/10 | 16h40 | Reserva Cultural, Sala 2
27/10 | 16h | Instituto Moreira Salles (IMS Paulista)
28/10 | 12h | Cultura Artística
Projeto Pelechian 2
Também restaurados em 4K.
O Começo (1967) — 10 min
Realizado no cinquentenário da Revolução Russa de 1917, o filme combina imagens históricas da revolução com registros de manifestações e agitações sociais. Em vez de narrar os acontecimentos cronologicamente, Pelechian cria uma composição intensa sobre o despertar político dos povos e a possibilidade de transformação social.
Nosso Século (1982) — 48 min
Da Terra ao espaço, Pelechian investiga o fascínio humano pela conquista das alturas. Imagens de foguetes, astronautas, experiências aeronáuticas e tentativas de voo revelam tanto a ambição de superar os limites humanos quanto os riscos dessa busca. O filme propõe uma reflexão sobre o progresso tecnológico e as contradições do século XX.
Fim (1992) — 8 min
A bordo de um trem que viaja de Moscou a Yerevan, capital da Armênia, o cineasta observa rostos, olhares e paisagens que passam pelas janelas. Sem depender de diálogos, constrói uma meditação poética sobre o tempo, a memória e a experiência de viajar. O movimento do trem transforma-se em uma experiência contemplativa sobre a passagem da vida.
Vida (1993) — 7 min
Neste raro filme colorido de Pelechian, acompanhamos o nascimento de uma criança. Entre a dor, a fragilidade e os gestos de cuidado, a chegada de uma nova vida é apresentada como uma experiência coletiva de solidariedade, renovação e esperança.
Sessões:
24/10 | 15h | Reserva Cultural, Sala 2
27/10 | 17h50 | Instituto Moreira Salles (IMS Paulista)
28/10 | 13h35 | Cultura Artística
Nascido em 1938, na Armênia Soviética, Artavazd Pelechian é reconhecido por sua linguagem singular e pela técnica de montagem conhecida como “montagem a distância”, em que imagens separadas pelo tempo e pelo espaço criam associações emocionais e poéticas.


