Esportes

A pegada armênia na Copa do Mundo da FIFA

Por Manuel Marselian

No embalo da Copa do Mundo de 2026, torcedores e apaixonados por futebol voltam os olhos para a história do torneio mais celebrado do planeta. É o momento perfeito para relembrar o papel que os armênios já desempenharam (e continuam desempenhando) no maior palco do esporte mundial.

Embora a seleção da República da Armênia ainda busque sua classificação inédita, a presença armênia nos gramados do Mundial está longe de ser uma novidade. Graças à força de sua diáspora, jogadores de origem armênia deixaram marcas profundas defendendo diferentes seleções ao longo das décadas. Da terra natal às comunidades espalhadas pelo globo, esses atletas levaram talento, raça e paixão ao cenário internacional, enchendo a comunidade de orgulho, independentemente da camisa que vestissem.

À medida que a expectativa para o Mundial de 2026 cresce, celebrar esse legado é também renovar as esperanças. Afinal, cada conquista do passado alimenta o sonho de ver a própria Armênia carimbar o passaporte para ocupar seu lugar na elite do futebol.

Nikita Simonyan (1958)

Nascido em 12 de outubro de 1926, em Armavir, na Rússia, Nikita Simonyan tornou-se uma das figuras mais reverenciadas do futebol soviético. Goleador histórico do Spartak Moscou, viveu seu grande momento internacional em 1958, quando ajudou a conduzir a União Soviética em sua primeira participação numa Copa do Mundo.

Nikita Simonyan

No torneio realizado na Suécia, foi um dos líderes de um elenco talentoso, que tinha o lendário goleiro Lev Yashin, num grupo duríssimo ao lado de Inglaterra, Áustria e do Brasil, que seria campeão. Simonyan marcou o primeiro gol da história soviética em Copas, no dramático empate por 2 a 2 com a Inglaterra, e teve papel central na classificação às quartas de final, após vitória em desempate justamente contra os ingleses.

A campanha histórica da URSS terminou diante da anfitriã Suécia, mas as atuações de Simonyan ajudaram a firmar os soviéticos como uma potência do futebol internacional.

Nikita Symonian faleceu no final de 2025, aos 99 anos. O Estação fez recentemente uma matéria contando sua trajetória.

Eduard Markarov (1966)

Eduard Markarov é lembrado como um dos atacantes mais talentosos a surgir no futebol soviético entre as décadas de 1960 e 1970. Criativo e inteligente, foi incluído no elenco da União Soviética para a Copa de 1966, na Inglaterra, em que a seleção alcançou seu melhor resultado na história do torneio: o quarto lugar, após chegar às semifinais.

Eduard Markarov

Numa época em que o futebol internacional era dominado por marcação física e esquemas rígidos, Markarov se destacava pela movimentação, pelo domínio de bola e pelo faro de gol. Ainda que tenha atuado pouco pela seleção, sua convocação refletia o prestígio de que gozava nos meios futebolísticos soviéticos. A caminhada da URSS às semifinais segue como um dos grandes feitos do país no esporte.

Andranik Eskandarian (1978)

Andranik Eskandarian é considerado um dos maiores zagueiros da história do futebol iraniano e uma figura central da geração de ouro da seleção do Irã nos anos 1970. Apelidado de “Arame Farpado” pela marcação implacável e o estilo sem concessões, ficou conhecido pela liderança, pela disciplina e pela imposição na defesa.

Andranik Eskandarian

O zagueiro teve papel decisivo na classificação inédita do Irã para a Copa de 1978, na Argentina, a primeira do país no torneio. Como um dos veteranos da equipe, foi titular contra Holanda e Escócia. Sua atuação no histórico empate por 1 a 1 com os escoceses virou um marco: encarregado de anular o lendário Kenny Dalglish, apresentou uma exibição destemida e disciplinada contra um dos ataques mais fortes do torneio.

Um desvio infeliz resultou em um gol contra logo no início, mas o desempenho geral entrou para a lenda, com o Irã reagindo para conquistar um dos resultados mais celebrados da história do esporte iraniano. Por acúmulo de cartões amarelos, ele acabou desfalcando a seleção na última rodada da fase de grupos, contra o Peru.

Khoren Oganesian (1982)

Nascido em Yerevan em 10 de janeiro de 1955, Khoren Oganesian é amplamente considerado o maior futebolista armênio do século XX. Meio-campista lendário do FC Ararat Yerevan e da seleção soviética, conquistou admiração internacional pela visão de jogo, pela técnica refinada, pela criatividade e por uma notável capacidade de marcar gols vindo do meio-campo.

Khoren Oganesian

Seu talento garantiu lugar de destaque na União Soviética, e entre suas primeiras conquistas internacionais esteve o bronze nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980. O momento definitivo, porém, veio dois anos depois. Na Copa de 1982, na Espanha, Oganesian tornou-se o primeiro jogador representando um clube armênio a atuar e marcar numa Copa do Mundo.

Sua cena mais icônica aconteceu em 1º de julho de 1982, em uma partida decisiva da segunda fase de grupos contra a forte Bélgica, no Camp Nou, em Barcelona. Depois que um cruzamento desviado sobrou perto da entrada da área, ele acertou um voleio perfeito, que passou pelo lendário goleiro belga Jean-Marie Pfaff. O golaço garantiu a vitória por 1 a 0 e eternizou Oganesian na história das Copas.

Youri Djorkaeff (1998)

Apelidado de “A Cobra” pela habilidade de deslizar por entre defesas fechadas e finalizar com frieza, Youri Djorkaeff segue como um dos atacantes mais talentosos e versáteis da história do futebol francês. Nascido em 9 de março de 1968, em Lyon, carrega orgulhosa ascendência armênia pelo lado paterno.

Youri Djorkaeff

Conhecido pela técnica elegante, pela inteligência tática e pela versatilidade, brilhava como segundo atacante, meia-atacante e armador. Visão, movimentação e tranquilidade, somadas a uma entrega incansável, fizeram dele um dos atacantes mais eficientes de sua geração.

Ele chegou ao auge na campanha do título francês na Copa de 1998. Sob enorme pressão como anfitriã, a França se apoiou na criatividade de Djorkaeff ao lado de Zinedine Zidane. O atacante marcou contra a Dinamarca na fase de grupos e foi uma das principais peças de criação no mata-mata. Na final contra o Brasil, foi dele o escanteio na medida para o segundo gol de Zidane, de cabeça.

Alain Boghossian (1998)

Alain Boghossian é lembrado como peça importante da lendária seleção francesa que conquistou a Copa de 1998 em casa. Entrou no segundo tempo da histórica vitória por 3 a 0 sobre o Brasil, na final.

Alain Boghossian

Sua campanha resumiu o valor de um jogador de elenco que cumpre seu papel com precisão, disciplina e desprendimento. Enquanto estrelas como Zidane dominavam as manchetes, o técnico Aimé Jacquet confiava no faro tático, na intensidade e na serenidade de Boghossian para controlar os jogos e equilibrar o meio-campo.

Com a camisa 14, atuou em cinco dos sete jogos da campanha do título. Sua contribuição foi especialmente valiosa na final: entrou aos 12 minutos do segundo tempo para ajudar a conter o meio-campo brasileiro e proteger a vantagem. Depois da expulsão de Marcel Desailly, que deixou os Bleus com dez homens, sua serenidade e disciplina defensiva foram decisivas para preservar o placar e garantir o primeiro título mundial da França.

Andranik Teymourian (2006, 2014 e 2026 — comissão técnica)

Andranik Teymourian (nascido em 6 de março de 1983) é um treinador iraniano e ex-meio-campista profissional que hoje integra a comissão técnica da seleção do Irã, como auxiliar.

Andranik Teymourian

Revelou-se um dos grandes nomes iranianos na Copa de 2006, na Alemanha, sendo titular nas três partidas da fase de grupos, contra México, Portugal e Angola. A entrega, a disciplina tática e a tranquilidade no maior palco do futebol marcaram sua estreia internacional e logo chamaram a atenção de clubes europeus, rendendo-lhe uma transferência ao Bolton Wanderers, da Premier League inglesa, ainda naquele ano.

Oito anos depois, voltou à Copa como um dos líderes mais experientes do Irã, sob o comando de Carlos Queiroz. Jogou todos os minutos da campanha de 2014, no Brasil, e foi peça-chave nas atuações defensivas disciplinadas — caso do duelo contra a Argentina de Messi, que o Irã quase segurou até um gol no fim. Foi dele a assistência para o único gol iraniano no torneio, contra a Bósnia e Herzegovina.

Markar Aghajanian (2014, 2018 e 2022 — comissão técnica)

Markar Aghajanian é um treinador e ex-jogador iraniano-armênio conhecido pela longa atuação como auxiliar da seleção do Irã sob o comando de Carlos Queiroz. Participou de três campanhas de Copa do Mundo (2014 no Brasil, 2018 na Rússia e 2022 no Catar), ajudando a moldar um dos períodos mais disciplinados taticamente da história recente da equipe.

Markar Aghajanian

Embora tenha ficado por pouco fora de uma Copa como jogador, na campanha de classificação de 1994, seu maior impacto veio das laterais do campo. Como assistente de confiança de Queiroz, fazia a ponte entre a comissão internacional e os jogadores do futebol local, ganhando respeito pela análise tática, pela organização defensiva e pelo trabalho de observação de adversários.

Foi especialmente influente na Copa de 2018, em que o Irã fez algumas de suas melhores atuações modernas, incluindo jogos muito competitivos contra Espanha e Portugal. Em quase uma década no comando técnico da seleção, firmou-se como um dos auxiliares mais influentes da história do futebol iraniano.

Maximilian Michael Arfsten (2026)

Maximilian Michael Arfsten (nascido em 19 de abril de 2001) é um jogador norte-americano que atua pelo Columbus Crew, da MLS, e pela seleção dos Estados Unidos. Visto como um dos talentos de ascensão mais rápida de sua geração no país, construiu a fama de ala moderno, marcado pela velocidade, pela entrega, pela qualidade nos cruzamentos e pela versatilidade tática.

Maximilian Michael Arfsten

Nascido em Fresno, na Califórnia, Arfsten tem fortes laços com a comunidade armênio-americana do Vale Central e é bisneto de Samuel “Sam” Siroonian. O técnico Mauricio Pochettino costuma elogiar sua capacidade de ocupar várias funções pelo lado esquerdo, o que permite à seleção alternar formações sem trocar de jogador.

Até maio de 2026, Arfsten somava 18 jogos pela seleção dos Estados Unidos e estava confirmado na lista para a Copa do Mundo de 2026. Espera-se que ele tenha papel de destaque entre os anfitriões e é apontado como um dos nomes emergentes mais importantes do país para a competição.

Fontes :
Matérias Relacionadas
Esportes

Seleção Armênia estreia com vitória na Liga das Nações B

Armênia luta por uma vaga na primeira divisão europeia. No último sábado, 04 de junho, a…
Leia mais
Tudo

Ararat Yerevan é campeão da Armenian Cup

Equipe quebra o jejum de 12 anos sem títulos. O tradicional FC Ararat Yerevan conquistou no…
Leia mais
Esportes

Armênia é vice-campeã do Torneio Internacional de Futebol Feminino

Torneio realizado na Armênia contou com a participação da Lituânia, Jordânia e Líbano. A…
Leia mais

Deixe um comentário