Três variedades de dolma (preparadas com peixe, com adição de cânhamo e com repolho azedo e painço) passaram a integrar a lista do patrimônio cultural imaterial da Armênia. A medida foi oficializada por decreto governamental em 27 de maio.
As três receitas eram tradicionalmente difundidas na província de Gegharkunik, na região do lago Sevan. A dolma de peixe, em especial, ganhou força depois do fim da União Soviética, em meio às dificuldades econômicas e à escassez de carne da época, segundo informou a agência Sputnik Armênia.
Mais do que um prato, a dolma é um dos grandes símbolos da mesa armênia. Feita com folhas de uva, de repolho ou com legumes recheados, ela costuma reunir a família em torno de um preparo demorado e caprichado.
Não é a primeira vez que o prato vira motivo de afirmação cultural. A própria disputa em torno da origem da dolma (ou tolma, como é conhecida nas cozinhas da Armênia), que já rendeu episódios diplomáticos na região, ajuda a entender por que a Armênia tem feito questão de inscrever suas receitas no patrimônio nacional.
A “dolma de cânhamo” é uma das preparações mais antigas da culinária armênia. Acredita-se que suas raízes remontem a um tempo em que o cânhamo era amplamente cultivado como planta nutritiva, rica em gorduras vegetais.
Durante os longos períodos de jejum, quando o consumo de gordura animal era proibido, as sementes de cânhamo, assim como as de linho e de gergelim, serviam como fonte alternativa de óleo e de nutrição, conforme descreve o anexo da decisão.
Já a dolma de peixe carrega a marca do lago Sevan, o maior da Armênia e um dos maiores lagos de altitude do mundo. É de lá que vem o ishkhan, a truta típica da região, ingrediente que dá identidade às receitas das aldeias ribeirinhas.
A mesma decisão incluiu na lista as canções de ninar da província de Shirak, no norte do país, e a tradição da fabricação de tambores. Entre eles o dhol, instrumento de percussão de duas faces que marca o ritmo de boa parte da música e das danças folclóricas armênias.
Entraram para a lista também a brincadeira infantil “Caçadores e Patos” e a canção “Taq Tsaghketsav”, difundida na comunidade de Tsovagyugh, em Gegharkunik.
O registro foi ainda ampliado com os carimbos tradicionais de argila e madeira usados para decorar a gata, a clássica massa doce armênia. Esculpidos à mão, esses moldes imprimem na superfície da gata desenhos geométricos e símbolos que passam de geração em geração, transformando cada fatia em uma pequena peça de artesanato.


Veja abaixo o decreto (armênio):


