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Armênia realiza cúpula inédita com a União Europeia em Yerevan

A Armênia deu nesta terça-feira um passo simbólico e político importante ao sediar, em Yerevan, a primeira cúpula bilateral com a União Europeia, marcada por uma declaração conjunta que consolida a aproximação entre o país e o bloco europeu. O encontro reforça a estratégia do país de diversificar suas alianças externas e reduzir a dependência histórica de Moscou, num momento em que a relação com a Rússia atravessa uma fase de forte desgaste.

O evento segue a oitava reunião da Comunidade Política Europeia, que reuniu dezenas de líderes europeus na capital armênia na segunda-feira para debater segurança continental e conflitos como o da Ucrânia e o Oriente Médio, incluindo tensões envolvendo EUA, Israel e Irã.

Na declaração final, os líderes da Armênia e da União Europeia classificaram a cúpula como um “marco histórico” no aprofundamento das relações bilaterais. O texto reafirma o compromisso da UE com a soberania, a resiliência e a agenda de reformas armênias, além de reconhecer as aspirações europeias da sociedade do país, ligadas à lei aprovada em março de 2025 que deu início ao processo de adesão à União Europeia.

A reunião também confirmou que a aproximação não é apenas simbólica. A União Europeia destacou sua disposição de ampliar o apoio financeiro e político à Armênia, com foco em conectividade, energia, transporte, digitalização, segurança e defesa. O documento menciona ainda o Plano de Resiliência e Crescimento de 270 milhões de euros e prevê a possibilidade de novos apoios após 2027, além de investimentos que, no âmbito do Global Gateway, podem chegar a 2,5 bilhões de euros.

Outro ponto central foi a parceria de conectividade entre a Armênia e a UE, apresentada como instrumento para reforçar laços em três frentes: transporte, energia e digital. A declaração também cita iniciativas de integração regional, como o projeto “Crossroads of Peace”, e reconhece o avanço do TRIPP, descrito no texto como peça relevante para uma conectividade regional sustentável e segura.

Bruxelas e Yerevan defenderam a institucionalização da paz entre Armênia e Azerbaijão, elogiaram os passos dados após a cúpula de Washington em agosto de 2025 e reiteraram apoio à normalização das relações entre Armênia e Turquia. O documento ainda sublinha a importância da Missão da UE na Armênia para a estabilidade no Sul do Cáucaso.

A guerra na Ucrânia e a escalada no Oriente Médio também entraram na pauta. No caso ucraniano, a declaração condena a guerra de agressão da Rússia e reafirma apoio à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia; já sobre o Oriente Médio, pede desescalada, proteção de civis e respeito ao direito internacional.

A aproximação entre Armênia e União Europeia vem se acelerando desde o início de 2025, quando o governo armênio avançou com o processo formal para buscar a adesão ao bloco. Em paralelo, o país tem ampliado sua agenda com instituições europeias em temas como vistos, justiça, fronteiras, cibersegurança, cooperação policial e educação, o que ajuda a dar conteúdo prático ao gesto político desta cúpula.

Leia abaixo a declaração conjunta (em inglês):

ST-8799-2026-INIT_en
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