O papel do Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto em consequência dos ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel, no fortalecimento das relações entre Armênia e Irã foi destacado em uma mensagem de condolências enviada pelo primeiro‑ministro Nikol Pashinyan ao presidente Masoud Pezeshkian do Irã nesta segunda‑feira. A mensagem foi enviada dois dias após o início das operações militares contra o Irã e reflete a preocupação oficial de Yerevan com os desdobramentos na região.
Em sua nota, Pashinyan afirmou que a Armênia acompanha “com grande preocupação” os acontecimentos em torno do Irã e manifestou pesar pelas perdas de vidas. “Por favor, aceite minhas condolências pelas vítimas registradas entre a liderança e os cidadãos da República Islâmica do Irã”, escreveu o primeiro‑ministro, sublinhando o caráter delicado do momento para o país vizinho.
O chefe de governo armênio também relembrou o papel de Khamenei no desenvolvimento das relações bilaterais entre Armênia e Irã, assinalando que sua contribuição pessoal para o fortalecimento dos laços entre os dois países será lembrada. Ao encerrar a mensagem, Pashinyan reiterou o desejo de que se restabeleça rapidamente a paz e a estabilidade no Oriente Médio e expressou a esperança de que a região consiga superar a escalada de violência.
Desde o início dos ataques no sábado, as autoridades armênias têm mantido um discurso cauteloso, evitando vincular o país diretamente a qualquer dos lados envolvidos no conflito. A proximidade política e econômica de Yerevan com Teerã, no entanto, faz com que a crise seja vista como um fator potencialmente relevante para a segurança e a economia da Armênia, incluindo rotas de transporte e de energia que passam pelo sul da região.
No domingo, Pashinyan presidiu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Armênia para discutir o impacto da escalada militar e avaliar os riscos possíveis para o país. O comunicado oficial informou que os participantes da sessão expressaram pesar pelos acontecimentos, enviaram condolências às famílias das vítimas e reafirmaram a importância do restabelecimento de um ambiente de paz e estabilidade.
O texto também menciona que o primeiro‑ministro deu “instruções necessárias” aos membros do Conselho de Segurança quanto às providências a serem tomadas diante da situação, sem detalhar concretamente as medidas adotadas. Essa abordagem segue uma linha já observada em momentos anteriores de tensão regional, quando o governo armênio procurou equilibrar a parceria com o Irã com a manutenção de canais de diálogo com outros atores internacionais.
Na segunda‑feira, o ministro das Relações Exteriores da Armênia, Ararat Mirzoyan, realizou uma conversa telefônica com o ministro iraniano Seyed Abbas Araghchi, conforme informado pela chancelaria armênia. Segundo o comunicado, os dois diplomatas discutiram a situação no Oriente Médio, reforçando a posição de Yerevan em favor da redução de tensões e da busca de soluções por meios pacíficos.
Durante a conversa, Mirzoyan expressou suas condolências às famílias das vítimas no Irã e sublinhou a importância de limitar o agravamento do conflito, enquanto também foram abordadas questões de caráter humanitário vinculadas aos efeitos dos ataques. Em períodos anteriores de crise na região, autoridades armênias já haviam utilizado uma linguagem semelhante, chamando para a prudência e para o diálogo, especialmente diante da capacidade do conflito de impactar rotas comerciais e energéticas que passam próximo ao território armênio.
No plano interno, a atuação do governo foi alvo de críticas da oposição, que questionou a continuidade de atividades interpretadas como de campanha nas províncias de Ararat e Armavir durante o fim de semana em que se intensificou o conflito. Essas agendas foram vistas por setores da oposição como um sinal de que o Executivo estaria priorizando a política interna em detrimento de uma resposta mais visível à escalada na região.
Diante de perguntas de jornalistas sobre o nível de preparação da Armênia em matéria de segurança nacional, o vice‑ministro da Defesa, Aram Sargsyan, respondeu de forma contida. “Talvez vocês não tenham prestado atenção ao fato de que uma sessão do Conselho de Segurança foi realizada e, naturalmente, os órgãos competentes estão trabalhando para dissipar suas preocupações”, afirmou, sem dar detalhes sobre as medidas militares ou operacionais em curso.
“Há paz na República da Armênia, e eu quero que avancemos levando em conta essa realidade”, completou o vice‑ministro, reiterando que “os órgãos relevantes estão, naturalmente, realizando o trabalho necessário e há paz na República da Armênia”. Sargsyan, porém, não abordou questões específicas sobre as capacidades de defesa do país, mantendo o foco em transmitir a ideia de estabilidade interna, apesar das incertezas regionais.
Em Teerã, a morte de Khamenei foi confirmada por autoridades iranianas, que informaram a criação de um conselho de liderança interino sob a coordenação do presidente Masoud Pezeshkian. O episódio foi caracterizado como um dos momentos mais tensos para o Oriente Médio nas últimas décadas, com o risco de um confronto mais amplo em uma região onde o Irã é um parceiro estratégico para a Armênia, especialmente em termos de conectividade e acesso a mercados.
