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Onnig comenta: Uma carta para Yuri

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E aí amigão, como você está? E os preparativos? Pronto para ir pra Armênia? Quem diria hein, você também “no Hayastan” ?

Yuri, quando menos se espera a vida prega peças maravilhosas, e nós, meros personagens de nossa própria história, somos empurrados ao grande espetáculo que é redescobrir a nós mesmos.

É assim que aconteceu comigo e acontece com todos nós quando o tema é Armênia. É assim que aconteceu e vai acontecer contigo prezado carioca.

Sabe Yuri, em cada rua da Armênia você vai encontrar rostos familiares, em cada esquina você vai encontrar com o velho e bom João Kebian, seu avô, que de seu comércio, a famosa “Casa São João”, no subúrbio de Olaria, manteve apesar do passado sofrido, o orgulho de suas origens milenares.

Em cada canto você vai ver a sua Mendzmama Mari (Marie Louise) que saiu da Síria e com toda a sua sabedoria e serenidade trouxe vocês ate aqui junto com o saudoso “Seu João”.

Yuri, é por isso que você está indo! Você está indo buscar o Seu João e a sua avó Marie. Você está indo conferir tudo aquilo que recebeu de herança milenar. Você está indo para se orgulhar ainda mais de suas raízes bolivianas e armênias.

E o mais importante é que você está indo para ajudar. Você é voluntário! Gamavor! Você é filho de cirurgiões e teve aulas de dedicação em casa! Dr. Jorge Fernando e Dra. Madalena fizeram um excelente trabalho mesmo você sendo vascaíno! Ahaahahahh!

Sua viagem é simbólica, já que mostra a todos nós o que realmente deve ser feito. Tem muita gente por aqui amigo que vive na comunidade há décadas e não fez um quarto do que você aí do Rio de Janeiro já fez pela armenidade em pouco tempo.

Muitos precisavam ir para a Armênia buscar o lugar exato onde se perderam deles mesmos. Precisam encontrar onde se perderam da armenidade ao trilhar a estrada “do estar no mundo”.

Yuri, não vou me alongar, sei que você está fazendo as malas. Me permita te dizer algo muito sério. Não adianta bater no peito e dizer que tem orgulho de ser armênio. Palavras não vão ajudar nossa nação milenar nos momentos delicados. É preciso estar dentro! É preciso ajudar. Ajudar uns aos outros primeiro. Nos irmanarmos mais uma vez. Ajudar alguma entidade, alguma associação. Participar!

Me despeço com uma sugestão: Quando estiver na Armênia procure um lugar bem sossegado de preferência que não tenha muita gente. Olhe para o Ararat escutando o Mer Hayrenik no seu headphone e de preferência com uma tricolor enrolada nos seus braços e pense que você está diante da história. Pense no milagre que é estar aí depois do que passou a família do Seu João e da D. Marie em Mardin. Você sabe do que eu falo! Depois a gente conversa!

Um abraço de boa viagem e excelente retorno! Sabe que na volta vai ter que vir pra Sampa depois de passar pela Ilha do Governador claro, pra dar um batchik na família! Estamos te esperando com todas as histórias que tiver!

  • Essa é uma singela homenagem ao jovem Yuri Kebian Omonte, Licenciado em matemática pela Universidade Federal Fluminense e um verdadeiro ativista da Causa Armênia no Rio de Janeiro. Yuri é o primeiro jovem não paulista descendente de armênios que está indo participar do programa do Birthright Armenia como voluntário. Como Yuri, muitos outros estão na busca constante de sua ancestralidade e através dela ajudar a humanidade. Eu humildemente me incluo nesse grupo.

Dedico esse artigo para Mariana Ferraro Kehyayan, Cintia Astardjian, Aram Djanian, Philipe Arapian, Eduardo Raffi Nigoghosian. Todos sabem muito mais do que eu mesmo sobre o que estou falando!


*James Onnig Tamdjian é colunista do Estação Armênia e suas opiniões não refletem necessariamente

James Onnig Tamdjian Professor de Geografia e Geopolítica. Fleumático, colérico, sanguíneo e melancólico.

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