Quase 100 manifestantes são presos em Yerevan após investigações contra líder da oposição

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ZartonMedia, News.Am, Aysor, Azatutyun

Os protestos aconteceram após a policia invadir a mansão do líder do Partido Armênia Próspera (PAP), o parlamentar e empresário Gagik Tsarukyan, no início da manhã deste domingo, dia 14 de junho. A polícia investiga se o cassino Shangri La, de Tsarukyan, esteve envolvido em atividades comerciais ilegais e irregularidades na campanha eleitoral de 2017. O parlamentar declarou que as alegações têm motivação política.

Em uma reunião de emergência do conselho político do PAP, realizada em 5 de junho, Tsarukyan havia declarado que o governo “havia fracassado 100% em seu trabalho e que mudanças radicais eram necessárias, também na forma de renúncias”. Ainda na mesma semana, o parlamentar apresentou sua renúncia ao cargo.

Os apoiadores do partido se reuniram quando os oficiais do Serviço Nacional de Segurança (NSS) começaram a interrogar o líder da PAP horas depois de revistar sua casa. A polícia de choque afastou a multidão do prédio após declararem a manifestação ilegal, de acordo com o estado de emergência relacionado ao coronavírus na Armênia, quase 100 protestantes foram presos.

Tsarukyan foi interrogado por mais de 6 horas na sede do NSS em Yerevan. Apesar das ameaças da polícia, seus partidários e membros do PAP não saíram da frente do local. Seu partido ocupa 25 dos 132 assentos do parlamento armênio.

A polícia armênia removeu à força vários deputados do Partido Armênia Próspera durante o protesto. Entre estes deputados estavam Iveta Tonoyan, Naira Zohrabyan, Karine Poghosyan, Arman Abovyan e Gevorg Petrosyan. Poghosyan e Abovyan ficaram feridos como resultado da violência policial e, segundo eles, a polícia prendeu o legislador do PAP, Janibek Hayrapetyan. Os deputados ficaram indignados com a forma como foram tratados, após serem jogados no chão e arrastados para fora dos protestos, de acordo com o News.Am.

Nesta segunda, o Serviço Nacional de Segurança emitiu três declarações, entre elas uma que alegava que a liderança e os membros do PAP estavam envolvidos na compra de votos durante a campanha eleitoral de 2017.

O NSS disse que cerca de quarenta buscas foram realizadas como parte do exame preliminar, durante o qual foram confiscados documentos contendo registros de computadores e documentos escritos relacionados à movimentação de fundos durante as eleições.

Em sua segunda declaração, o Serviço de Segurança Nacional acusou duas empresas de jogos conhecidas por Gagik Tsarukyan de graves irregularidades financeiras e de licenciamento que custam ao Estado mais de 29 bilhões de Drams (R$ 300 milhões) em danos.

Em um terceiro comunicado, o NSS disse que 340mi de Drams (R$ 3.5mi) não foram pagos ao orçamento do estado da comunidade de Arinj.

O conselho de administração da PAP divulgou uma declaração no final do dia ligando a repressão às recentes exigências de Tsarukyan pela renúncia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan e seu governo. Ele afirmou que o partido, que detém o segundo maior número de cadeiras no parlamento armênio, não se curvará à “pressão ilegal”.

Uma das legisladoras, Naira Zohrabyan, disse que as autoridades agora podem pedir à Assembleia Nacional que suspenda a imunidade de Tsarukyan da acusação e a prisão dele. “Estamos prontos para todos os cenários”, disse ela a repórteres da Azatutyun.

O secretário do segundo maior partido da oposição, Gevorg Gorgisyan do Partido Armênia Brilhante, declarou que os cidadãos presos estão em boas condições, durante transmissão ao vivo no Facebook.

“A maioria dos cidadãos foi libertada. Os policiais tratam os cidadãos normalmente”, afirmou.

A vice do partido, Ani Samsonyan, acrescentou que os acontecimentos de hoje são reflexo das críticas expressas pelo PAP às autoridades.

“A Armênia Brilhante convocará hoje uma sessão especial para discutir a situação no país. A avaliação política e jurídica deve ser dada aos acontecimentos”, disse Samsonyan, enfatizando que hoje as autoridades estão apresentando uma agenda que não tem relação com a pandemia.

Veja imagens abaixo:

 

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