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Turquia ameaça novamente a Alemanha por conta da resolução do Genocídio Armênio

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Demonstrators wave Turkish flags in front of the Reichstag, the seat of the lower house of parliament Bundestag in Berlin, Germany, June 1, 2016, as they protest against a disputed vote in Germany's parliament on Thursday, on a resolution that labels the killings of up to 1.5 million Armenians by Ottoman forces as genocide. REUTERS/Hannibal Hanschke
Manifestantes turcos acenam bandeiras na frente do Bundestag, sede da câmara baixa do Parlamento alemão em Berlim, em 01 de junho de 2016, como forma de protesto à votação da resolução que veio a reconhecer o Genocídio Armênio.

O governo de Erdogan parece não estar mesmo conformado com a resolução do Parlamento alemão que reconheceu os assassinatos de 1915 perpetrados pelo então Império Otomano como Genocídio.

Antes e depois da votação, a Turquia ameaçou a Alemanha dizendo que as relações entre os dois países seriam fortemente estremecidas caso a resolução reconhecendo o Genocídio Armênio passasse.

Contudo, as ameaças de Erdogan não foram suficientes para barrar os parlamentares alemães, que em 02 de junho reconheceram formalmente o Genocídio Armênio.

Logo após a votação, Cem Ozdemir, um dos membros do Parlamento alemão de origem turca que já vinha sendo ameaçado, teve de ficar sob proteção policial, diante de ameaças de morte perpetradas por organizações turcas.

Agora, através de um comunicado realizado por um membro do governo que não quis se identificar, a Turquia diz que está avaliando contramedidas contra à Alemanha.


 

Via Reuteurs

Tradução: Maria Carolina Chaves Indjaian

A Turquia está discutindo contramedidas contra a Alemanha depois de seus parlamentares votarem para rotular os assassinatos em massa de armênios em 1915 como um ato de genocídio, disse uma autoridade turca na quarta-feira, acrescentando que Berlin deve distanciar-se da resolução.

Neste mês, os parlamentares alemães votaram de forma esmagadora a aprovação da resolução, enfurecendo a Turquia, que rejeita a ideia de que os assassinatos de cristãos armênios por forças otomanas durante a Primeira Guerra Mundial constituiu genocídio.

“Contramedidas estão sendo discutidas”, disse o oficial, em um briefing aos membros da imprensa estrangeira em Istambul, recusando-se a ser identificado. Ele não deu detalhes sobre que tipo de medidas Ancara pode tomar.

Funcionários do governo haviam dito anteriormente que a resposta de Ancara seria colocada em xeque por conta da realidade econômica. A Alemanha é o mercado principal de exportação de produtos da Turquia, respondendo por US$ 13,4 bilhões em exportações no ano passado.

É também a casa de mais de 3 milhões de turcos. Esses laços – bem como as negociações com a União Europeia para acabar com a crise migrante e dar aos turcos a isenção de visto para a Europa – não são suscetíveis de serem danificadas permanentemente.

O oficial também disse que a Turquia até agora conheceu 67 dos 72 critérios exigidos pela Europa para garantir a cobiçada viagem de longa duração sem visto para o bloco.

Sob o acordo migrante forjado entre a Turquia e a Alemanha, a Turquia recebe isenção de visto, aceleradas as negociações de adesão à UE e em troca ajuda a conter o fluxo de migrantes. Mas o acordo de isenção de visto atingiu um impasse diante da lei anti-terrorismo da Turquia, que alguns na Europa dizem que é muito ampla.

“Tudo está no caminho certo”, disse o oficial sobre as negociações. “Nunca é um jardim de rosas. Há sempre altos e baixos.”

Maria Carolina Chaves Indjaian Colaboradora. Carioca da gema que viveu em Curitiba desde criança e agora mora em Toronto. É advogada, formada em Direito pela Universidade Positivo e aficcionada por Direitos Humanos. O coração e o sangue sempre falam mais alto no que diz respeito à Armênia.

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