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Informativo Armênia N°11 – Janeiro, Fevereiro e Março de 2014

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Informativo Armênia
Informativo Armênia

Informativo ARMÊNIA 2014
Ano XIV – nº 11
Janeiro/Fevereiro e Março de 2014 

Para leitura das edições anteriores do Informativo Armênia, clique aqui. 

 

EVENTOS, NOTÍCIAS E EMOÇÕES EM INTERAÇÃO 

Nas últimas semanas, temos divulgado uma sequência de relevantes eventos na comunidade armênia, alguns já ocorridos e outros para acontecer. Todos, em torno de nossa cultura, nossa fé e particularmente, de nossa História.

Estamos vivendo um clima de envolvimento participativo generalizado. Fatos internacionais que estão atingindo diretamente os armênios da Diáspora nestes últimos dias – KESSAB –Síria – Turquia, e mesmo a questão de Karabagh (Artsakh), distorcida por Azerbaijão através de ações diplomáticas, estão motivando encontros em nosso meio para dividirmos nossa indignação, por enquanto… através de palestras, debates, discursos, textos em informativos e nos portais, jornal e pela rádio. Autoridades em Direitos Humanos (Ex-Embaixador e Ministro José Gregori) e História (Prof. Dr. Richard Hovannisian), bem como o antropólogo mexicano Carlos Antaramian Salas e interessados da sociedade brasileira, compartilham nossas reivindicações, os primeiros, conhecedores de nossas questões, analisando e esclarecendo as causas, outros nos consultando para dirimir dúvidas. Perguntas devem ser respondidas em prol da Verdade, para ”iluminar” nossa realidade histórica. 

Ressonâncias desses eventos, reações e emoções em interação, você as lerá nas páginas que seguem. 

Sossi Amiralian
(Redatora)

 

POR QUE NA ARMÊNIA É PROVÁVEL QUE ESTÃO SENDO ENGENHEIRADAS MAIS SUPERCRIANÇAS DO QUE NA CHINA?

Parece que nestes dias, tem-se falado sobre a arte da engenharia do genôma desenvolvido pelos chineses, para produzir supercrianças, gênios. Mas a nação que mais provavelmente irá produzir uma geração de crianças superinteligentes, solucionadores de problemas, não é o gigante econômico global da atualidade, engajado em um programa complexo de genética que beira o sinistro, mas é a Armênia, uma pequena nação sem litoral, população aproximada de 3.000.000 de habitantes, que ainda está atolada na sombra de um genocídio devastador. E vai fazê-lo com o xadrez.

Primeiro, vamos olhar para o suposto plano chinês. Em recente entrevista, um psicólogo evolucionário, Geoffrey Miller, disse acreditar que o Instituto de Genômica de Pequim está procurando uma maneira para a China produzir filhos mais inteligentes. Ou superbebês, se você quiser. E é o maior esforço do mundo para tal fim. Mais específicamente, BGI Shenzen tem “coletadas amostras de DNA de 2.000 pessoas mais inteligentes do mundo e estão sequenciando genomas, numa tentativa de determinar os alelos que determinam a inteligência humana.”

Se forem bem sucedidos em encontrá-los, Miller acredita que poderia abrir o caminho para exames e intervenções embrionárias, que eventualmente ajudarão a impulsionar o QI de crianças de 5-15 pontos por geração, em conjunto. Mas, depois que o artigo foi espalhado, houve um recuo significativo da comunidade científica. Muitos cientistas dizem que o QI é muito complexo, muito dependente da interação de genes e fatores ambientais, para “engenheirar”, dada a nossa capacidade atual. Will Oremus do site “Slate’s” colheu citações de um número significativo de céticos que compartilharam este ponto de vista, incluindo Hank Greely, diretor do Centro para Leis de Biociências da Universidade de Stanford.

“Eu acho que é bastante claro que a inteligência – mesmo que ela exista como uma entidade, que permanece controverso entre os psicólogos – envolve uma batelada de genes e combinações genéticas, todos substancialmente mediados através do meio ambiente”, Greely disse ao Slate. “As chances de que a seleção genética irá realmente nos levar a resultados substanciais no aumento da inteligência humana, em nossas vidas, são baixos”.

Santiago Munné, que dirige a Reprogenetics, um laboratório privado que pré-implanta via diagnoses genéticas – um processo em que um embrião é testado para mutações causadoras de doenças, e às vezes, para características físicas, como sexo e cor de cabelos – não acha possível que a China possa fazê-lo como tal.

No entanto, a iniciativa simples, criativa e estatal de ensinar a jogar xadrez com as crianças, na Armênia, revela-se um excelente passo para efetivamente obter-se, em poucos anos, jovens muito mais capacitados a enfrentar dilemas e desafios, ter mais criatividade, persistência e objetividade.

O xadrez força a mente a ter estratégia, sequência em imaginar o futuro, prever riscos, e principalmente, saber perder, que é como mais eficazmente se aprende. A derrota via a inteligencia, cria no cérebro do indivíduo, um estimulo automático do querer superar o erro, corrigir-se e seguir adiante melhor, naturalmente, com satisfação, sem frustrações.

Associado a esta iniciativa, onde as crianças são estimuladas em grupos para o aprendizado do xadrez, acrescenta-se o espírito de equipe e coletividade. Em poucos anos, os primeiros resultados devem aparecer, quando saberemos o quanto o xadrez contribui para este objetivo: termos jovens alegres, motivados para o aprendizado, prontos para encarar desafios e fazer com que mentes brilhantes façam uma nação próspera.

Enquanto isso, lembremo-nos de mais uma sábia frase do gênio Einstein:

“I fear the day that technology will surpass our human interaction. The world will have a generation of idiots.”…
(“Temo pelo dia em que a tecnologia irá  sobrepor-se à interação humana. O mundo terá uma geração de idiotas”.)

(Eduard Mekhalian)

INFORMAR PARA CONSCIENTIZAR – URGENTE
POR QUE HÁ MUITOS QUE AINDA DESCONHECEM VERDADES HISTÓRICAS?

Notícias recentes de novas atrocidades turcas contra os armênios da diáspora, estão pipocando. A fênix semiapagada está renascendo das cinzas, desta vez, em simbologia inversa, não para a vida, mas para o mal. Os sistemáticos massacres de 1915-1923 estão revivendo, agora contra os armênios de Kessab. Uma reconscientização dos países se faz imprescindível, urgente.

Surpreendido por essas notícias, respondi a um consultante  sobre a veracidade ou não, da “limpeza étnica dos armênios”, tentativamente, com a seguinte carta-depoimento: “apenas uma introdução para responder à sua dúvida”

“Sua surpresa em ouvir falar de “limpeza étnica dos armênios” não me surpreende. muitos, ainda, não conhecem o genocídio que nos foi perpetrado pelos turcos otomanos de 1915 a 1923, com o aniquilamento de um milhão e  meio de armênios … Foi o primeiro genocídio do século. Uma prova viva: a dispersão dos armênios pelo mundo motivada, não por razões econômicas, mas por busca de refúgio para sobreviver, viver, literalmente  –  onde, e como pudessem. cada armênio tem a sua história de dizimação familiar.  A da minha família é a da decapitação dos meus dois avôs, paterno e materno.  O restante foi deportado para damasco, que depois se espalharam por Beirute, Jerusalém, frança, estados unidos, argentina e brasil. nossa história foi camuflada, distorcida, negada ao longo dos anos, por nossos algozes: os turcos. a 1ª guerra mundial foi uma desculpa de acobertamento para a planejada limpeza étnica. O negacionismo continua. os massacres também: veja hoje o que está acontecendo aos armênios de Kessab, na Síria, fronteira com a Turquia.

Acompanhe o Azerbaijão, que está fazendo uma política mentirosa contra os armênios, por causa do enclave de Karabagh (Artsakh), de maioria armênia, e a região de Khojaly, “vendidos” por Stalin para os turcos, por causa de uma dívida russa. Culpam os armênios de estarem praticando genocídio dos azeris, quando, na verdade, estamos defendendo o que é nosso. Estão, assim, invertendo nossa história. querem a paz na região… Convencendo hoje vários países, inclusive o brasil, através de aproximações governamentais, esportivas, culturais, fomentando movimentos universitários em prol dos direitos humanos… da paz entre o Azerbaijão e a armênia… somos minoria, portanto, impotentes diante das nações gigantes, movidas unicamente por interesses. hipocrisia, poder, dinheiro, mentira, invertem a verdadeira história dos pequenos indefesos. Jogos diplomáticos passam por cima de nossas reivindicações. não somos ouvidos. nossa geopolítica não nos favorece.  Não basta eu lhe dar meu depoimento pessoal. pode passar por lamento o que é realidade: há muitos documentos, livros, depoimentos de gente abalizada, autoridades internacionais em direitos humanos, especialistas em genocídios entre europeus e americanos. 

Posso lhe enviar um livreto que traduzi do último capítulo do livro “The crime of silence – The armenian genocide”, intitulado “the verdict of the tribunal”. Um trabalho solicitado pelo Zoryan Institute of Canada, organização dedicada aos estudos de genocídios mundiais e que dão cursos sobre direitos humanos, em Toronto. O livreto trata da decisão do Tribunal Permanente dos Povos, reunido em paris, em 1984, sobre a questão armênia, em que a Turquia foi condenada por crimes de lesa- humanidade, com base em dados históricos comprovados – o veredito foi de caráter ético e não punitivo. a representação turca não compareceu à seção do tribunal. Participou dessa seção, o ilustre professor Dr. Dalmo Dallari, que recebeu nossos livretos e deu palestra sobre o tema, num dos congressos da OABb em São Paulo. Os livretos encontram-se na biblioteca da faculdade de direito do largo são francisco. O livreto “veredito” em “o crime do silêncio” é bastante elucidativo quanto ao  conteúdo histórico e legal. 

Sugiro também a leitura do livro “história da armênia – drama e esperança de uma nação” – de Aharon Sapsezian – Editora Paz e Terra – Rio e SP – 1988. 

Evento imperdível, também, é o de domingo, dia 6 de abril, em que haverá uma palestra elucidativa de nossa história – “Em busca da Armênia ocidental histórica”, a ser proferida pelo prof. Dr. Richard G. Hovannisian, maior autoridade atual em história armênia, professor do departamento de armênio da UCLA de Los Angeles. 

Informo, ainda, que o ano de 2015 é o centenário do genocídio armênio.  

Concluo: por que muitos ainda desconhecem fatos históricos de extermínio de milhares? Não seria pelo crime do silêncio? O sufocante silêncio dos criminosos? “

Sossi Amiralian – 01/04/2014

 

 

 

 

 

Armen Kevork Pamboukdjian Editor-chefe e redator do Estação Armênia. Nascido na capital Paulista, é formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, em skate pela faculdade das ruas e em causa armênia pela universidade da luta e resistência.

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