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Artistas paulistanas fazem homenagem ao centenário do Genocídio Armênio

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Lanó, Genocídio Armênio
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À partir de um convite dos editores do Portal Estação Armênia, as desenhistas Carolina Lopes e Juliana Nersessian, do Duo artístico Lanó, desenvolveram uma arte muito especial para rememorar os 100 anos do Genocídio Armênio em 2015. 

A obra em questão é uma criação artística muito tocante e que homenageia, no ano do centenário, os mártires armênios que padeceram em 1915 (veja na imagem ao lado).

Carolina e Juliana são formadas no curso de Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes e foi lá onde se conheceram, em 2009. Além da amizade, perceberam em comum o interesse pelo desenho. 

Depois de se formarem elas integraram um coletivo onde começaram a desenvolver desenhos em paredes e em papel. Assim, as artistas foram se aprimorando e somando as melhores características do desenho de cada uma.

As desenhistas da Lanó bateram um papo com o Portal Estação Armênia para explicar um pouco sobre o processo de criação, as ideias que nortearam o trabalho e a execução do desenho.

Leia abaixo a entrevista



Estação Armênia: Como foi a idéia para a criação do desenho? 

Lanó: Nós queríamos fazer um desenho que ao mesmo tempo tivesse força, chamasse atenção e que também representasse a beleza da esperança e do não esquecimento. Quisemos usar símbolos importantes para o povo armênio como o Monte Ararat e a flor Miosótis escolhida para ser o símbolo do centenário do Genocídio Armênio

 

E o que significam os elementos que compõe o desenho?  

As mãos, debruçadas sobre o Monte Ararat, que podem remeter a corpos empilhados vieram como um peso, que é inevitável quando falamos sobre um genocídio. Mas ao mesmo tempo simbolizam a união de um povo que sempre agiu  para que a tragédia não fosse esquecida.  Por isso elas se transformam em flores Miosótis, a mobilização deste povo é que vai fazer com que as pessoas conheçam os fatos, entendam o que aconteceu e que não deixem cair no esquecimento.  

Este desenho é uma homenagem aos que morreram no genocídio, aos que sobreviveram e deram continuidade ao povo e sua cultura e àqueles que sempre lutaram pelo seu reconhecimento.

 

Carolina e Juliana
Carolina Lopes (esq) e Juliana Nersessian

Como foi a criação e quanto tempo levou para produzir a arte? 

Nós passamos muito tempo pensando em como seria o desenho, demoramos mais tempo para chegar a ideia final do que em sua execução de fato. 

Começamos pensando em tudo que era importante para a cultura armênia e o que era mais significativo nesse centenário. Conseguimos reunir bastante coisa, mas a grande questão era como simbolizar isso tudo em uma imagem. 

A ideia das mãos foi a primeira a surgir, mas com ela veio um medo de que o desenho ficasse muito pesado, talvez mórbido. A partir deste ponto, veio o movimento das mãos e a sua transformação em flores, que além de representar a luta dos armênios, trouxe mais leveza visualmente. Queríamos muito introduzir a figura do Monte Ararat no desenho, mas não como uma figura principal, por isso ele vem embaixo de tudo, como um apoio e uma base para toda essa luta.

Demoramos cerca de uma semana para fechar a ideia de como seria o desenho e para produzi-lo.

 

Qual a diferença de fazer esse e outros projetos? 

Primeiramente é um projeto muito diferente de outros por sabermos o quanto essa é uma causa importante para o povo armênio e isso trouxe uma responsabilidade maior. 

Outro fato que fez diferença, é porque uma de nós é descendente de armênios e sempre teve familiaridade com a história do genocídio, isso fez com que houvesse uma troca de conhecimento entre nós duas e o centenário do genocídio se tornasse uma causa importante para ambas.

 

Já haviam feito algo parecido?

Em termos de técnica sim, esse desenho tem uma linguagem muito parecida com outros que produzimos. Em termos simbólicos não, nunca fizemos um desenho para representar uma causa e por isso ficamos muito felizes com o convite do Estação Armênia.

 

Quais foram os materiais que vocês utilizaram e qual a técnica aplicada?

A técnica é desenho sobre papel e os materiais usados foram lápis grafite, lápis de cor e caneta de nanquim.

 

O que vocês esperam com esse desenho? 

Esperamos que ele possa ajudar na conscientização e divulgação da Causa Armênia para as pessoas, principalmente aquelas que não conhecem a história dessa tragédia, que ele (o desenho) instigue uma vontade de conhecer mais. Nas pessoas que já conhecem, sinceramente, esperamos que gostem do desenho, mesmo que ele não invoque uma boa lembrança, que ele ajude a trazer esperança.


Sobre a Lanó:


O duo Lanó possui um site aonde você encontra um pouco mais sobre as artistas, além da loja virtual com trabalhos à venda.

As artistas também criam projetos sob encomenda para parede em cima das referências ou idéias que o cliente deseja e mantém sempre uma conversa para que o resultado seja satisfatório para os dois lados e dentro do orçamento desejado.

Conheça mais sobre o duo em www.lano.art.br

Visite o Facebook da Lanó em www.facebook.com/lano.art.br e siga também no Instagram em www.instagram.com/lano_art

Abaixo veja mais imagens do desenho que relembra os 100 anos do Genocídio Armênio:

 

 

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