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23 de janeiro de 2012: Senadores franceses aprovaram a lei que pune severamente o negacionismo na França. Essa decisão história na defesa dos direitos humanos vem tendo forte oposição do governo turco, fato que abalou as relações entre os dois países.
Por 127 votos a favor e 86 contra a resolução marca uma nova fase na luta pelo reconhecimento do genocídio em escala internacional. Inúmeros intelectuais no mundo todo já se manifestaram a favor do reconhecimento. O projeto de lei, elaborado pela deputada francesa Valerie Boyer torna a negação punível com um ano de prisão e uma multa de 45.000 euros (58.000 dólares).
O governo dos EUA, aliado da Turquia, não reconhece o genocídio como fato histórico mesmo com inúmeros documentos de diplomatas americanos que em 1915 descreveram os massacres como tentativa de aniquilação.
“A votação corajosa realizada hoje no senado francês ilumina todo o Atlântico, nos políticos americanos, que, por muito tempo, deixam Ankara bloquear o reconhecimento do Genocídio Armênio nos EUA “, disse o Diretor Executivo do Comitê Nacional Armênio da América , Aram Hamparian.
Essa decisão abre um precedente entre aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que pode ajudar no avanço pela justiça e reconhecimento do crime contra a humanidade em 1915 que vitimou 1,5 milhão de armênios.
Artistas e intelectuais franco-armênios, incluindo Charles Aznavour, Serge Avedikian, Simon Abkarian, e Levon Sayan emitiram uma nota chamando o Senado francês a aprovar o projeto. Milhares de armênios – incluindo franceses descendentes de armênios – se reuniram em frente ao prédio do Senado para expressar apoio ao projeto. A multidão armênia cantava músicas nacionais revolucionárias.
Não muito longe dali, uma multidão de turcos que havia se reunido dispersou-se mais de uma hora antes da votação. O jornal turco Radikal, que publicou um artigo em seu site intitulado “Os turcos foram para casa, os armênios começaram a comemorar”, em referência à atitude dos manifestantes durante a hora que antecedeu a votação.
Alguns dias antes da votação o Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu instou o Senado francês em 20 de janeiro para não aprovar o projeto, observando que ela constitui “uma mancha negra na história intelectual da França.”, e conclui em tom de advertência: “Vamos sempre lembrá-los disso”.
A aprovação da lei não foi nenhuma surpresa. Esquerda e Direita já haviam se manifestado em favor dele.
A França reconheceu oficialmente o Genocídio Armênio em 2001.
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