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Em resposta ao editorial de 30 de janeiro do Jornal Folha de São Paulo, escrito pelo ex-ministro Bresser-Pereira, a Comunidade Armênia de São Paulo e o CNA – Conselho Nacional Armênio da América do sul, representação do Brasil – lançaram um manifesto pela verdade, justiça e Direitos Humanos, publicado na edição de hoje (04/02) do Jornal O Estado de São Paulo (Estadão).
Clique na imagem abaixo para aumentar o tamanho:
Veja abaixo a íntegra do manifesto do CNA
À
Folha de São Paulo
(a/c. do Sr. Editor Executivo)
Al. Barão de Limeira, 425 (Campos Elíseos)
01202-900 – SÃO PAULO –SP.
Prezados Senhores.
Com referência ao Artigo do Sr. LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA, publicado no jornal “Folha de São Paulo”, de 30 de janeiro de 2012, pág. A8-Mundo (“A boa consciência da França”), o Sr. Bresser Pereira demonstra não conhecer nada da realidade histórica do povo armênio. Escreve sobre um assunto importante e muito caro para um povo, cujas raízes se estendem pelo mundo, obrigado pela emigração, resultando na Diáspora e que fora dizimado por uma chacina cruel, como se o tempo decorrido (1915) apagasse o brutal genocídio, esquecendo-se de tratar de um crime imprescritível de lesa- humanidade.
Ofende a memória de Um Milhão e Meio de mártires armênios, massacrados, em 1915, de maneira vil, desumana e bárbara, com requintes de crueldade inimagináveis pela mente humana, executados, por ordens oficiais do Governo Turco Otomano de então. Esse genocídio, o Primeiro do Século XX, ainda impune, serviu de incentivo para que Hitler, de triste memória, invocasse como exemplo para “justificar”o Holocausto judeu, dizendo: “Quem se lembra dos massacres dos armênios”, numa clara referência à impunidade dos genocidas do povo armênio.
Surpreendente é “como compreender” a motivação do Sr. Bresser Pereira”, em atacar a decisão do Parlamento francês, fazendo referência de “algo que aconteceu há quase um século”, como o genocídio dos armênios pelos turcos? Ora, que autoridade tem oSr. Bresser Pereira para contestar a decisão do Parlamento francês, de um país soberano e democrático, quando decide criminalizar o negacionismo do genocídio praticado pelos turcos contra os armênios? A excelsa França, respeitada, democrática de primeiro mundo, que promoveu a derrocada da Bastilha e estabeleceu nova ordem democrática e humana no contexto de exemplo para o mundo civilizado? O articulista adota a suspeita linha do governo turco em defesa do indefensável negacionismo turco, inclusive, na Turquia onde já existem intelectuais, escritores e jornalistas turcos que não só reconhecem como defendem essa realidade pelo reconhecimento e estão sendo perseguidos e penalizados pelos governantes turcos, numa afronta aos Direitos Humanos.
Em sua ótica vesga, o Sr. Bresser Pereira afirma “não fazer sentido para a França um conflito com a Turquia - em importância no Oriente Médio e de potência emergente” e ainda se surpreende pelo testemunho oficial da França sobre algo que acontecera, mas que hoje, diz, nada tem a ver com a França. O senhor Bresser precisa entender que essa França tem um Governo e Parlamento legalmente constituídos que regem o destino de um povo livre, com dignidade, soberania e democracia e não necessita da inoportuna intromissão nos assuntos daquele país e que não cabe a ele cidadão Luiz Carlos Bresser Pereira ditar conduta aos dirigentes daquele país.
O que incomoda o Sr. Bresser Pereira não é, certamente, a consciência cívica, moral e a dignidade nacional pela verdade dos fatos históricos do povo armênio, sobejamente conhecidos e comprovados por testemunhos de sobreviventes e relatos de abalizados diplomatas estrangeiros como, entre outros, HENRY MORGENTHAU, então Embaixador Norte americano na Turquia: “ o turco julgava ter o direito de experimentar o fio de sua espada no pescoço de qualquer cristão” “ ….os fatos descritos nos relatórios recebidos pela Embaixada, por testemunhos oculares, dignos da mais absoluta confiança, ultrapassam as crueldades mais diabólicas inimaginadas na história do mundo…”; Visconde JAMES BRYCE, da Câmara dos Lordes: “Não se registra outro fato na história, desde os tempos de Tamerlão, de crimes tão horrendos”: ANATOLE FRANCE, da Academia Francesa de Letras: WOLFF METTERNICH, Embaixador da Alemanha na Turquia: Mr. LLOYD GEORGE, da Câmara dos Comuns, Monsieur PICHON, então Ministro de relações Exteriores da França, todos condenando o brutal genocídio; ARNOLD TOYMBEE – Proeminente historiador britânico e autor do livro Os massacres de Armênios”: LUDENDORFF, general alemão em suas “Memórias”: JEAN PIERRE ALEM, escritor francês e autor do livro “Armeniee”; NICOKEMO RUHASHYANKIKO, de Uganda e Relator Especial da Subcomissão da Comissão de Direitos Humanos da O.N.U., na reunião de Genebra, de 06/03/1974, referente à sanção do delito de genocídio; WISTON CHURCHILL, estadista inglês e líder mundial em seu livro: “A Conseqüência”, editado em 1941 e o próprio testemunho dos sobreviventes das atrocidades cometidas pelos turcos que para se salvarem foram forçados a emigrar para os quatro cantos do mundo, entre os quais para a França, Brasil, Argentina, EE.UU., Líbano, Síria, Canadá e outros. Porquê um povo se dispersaria, numa diáspora, sem rumo, sem destino, ancorando em Portos de países que os acolheram? A prova viva de nossa existência, descendentes desses sobreviventes. Talvez o Senhor Bresser Pereiratenha outra explicação, forjada pelo tempo.
O Sr. Bresser Pereira não tem o direito de tripudiar sobre a memória de Um Milhão e Meio de Mártires, cujos descendentes aguardam Justiça, independentemente, Senhor Bresser Pereira, do tempo transcorrido do genocídio de 1915, crime imprescritível de lesa-humanidade que não se apagará jamais.
O Sr Bresser Pereira deve se informar melhor para depois emitir juízo de valor sobre o genocídio armênio.
O Conselho Nacional Armênio da América do Sul, por sua Representação Brasileira – CNA/Brasil, representando os anseios da Comunidade Armênia do Brasil, solicita seja:
a-) encaminhada uma cópia da presente ao autor do artigo, Sr. Luiz Carlos Bresser Pereira.
b)- a publicação do presente, com o mesmo espaço e destaque dado ao artigo em tela.
Simão Kerimian
Conselho Nacional Armênio da América do Sul
Representação do Brasil
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