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A repercussão da polêmica coluna de Bresser-Pereira, na edição da Folha de São Paulo do dia 30 de janeiro de 2012, chegou à França. Na ocasião, o ex-ministro afirmou que a aprovação da lei que criminaliza a negação de genocídios (baseada no caso armênio) “não serve à Armênia, ofende a Turquia e não interessa à França“.
Como consequência, o jornalista do Nouvelles d’Arménie Magazine, com base em Paris, enviou um e-mail para Bresser-Pereira, a fim de refutar seus argumentos, nos quais o mesmo afirma que a referida lei não interessa à França. Nas palavras de Eckian:
“Prezado senhor ministro,
No debate gerado a partir do projeto de lei apresentado pelo deputado Valerie Boyer, a fim de condenar a negação de todos os genocídios reconhecidos pela legislação francesa, dentre eles o dos armênios, ofereço abaixo algumas respostas de acordo com suas considerações sobre este ‘caso’ não dizer respeito à França.
Minhas mais elevadas considerações,
Jean Eckian”
Na sequência, Eckian faz uma cronologia da relação entre armênios e franceses, para provar como a história dos dois povos está intimamente ligada desde o século XIV até os dias atuais. Tais fatos históricos ilustram como qualquer acontecimento relevante que envolva a Armênia ou a história dos armênios diz respeito à França e vice-versa, o que dota este último país de uma prerrogativa moral para se colocar na vanguarda das nações ocidentais ao criminalizar a negação do genocídio dos armênios.
Jean Eckian continua seu texto com um histórico das ações negacionistas que aconteceram em solo francês desde 1996, quando um grupo de turcos ameaçou o prefeito da cidade de Grenoble por este ter inaugurado uma placa alusiva ao genocídio dos armênios na localidade. A tal fato, soma-se uma sequência de depredações aos inúmeros monumentos armênios existentes na França, até chegar às declarações do então ministro de relações exteriores e atual presidente da Turquia, Abdullah Gul, em 2006, quando este protestou veementemente contra qualquer proposta de lei que punisse a negação do genocídio dos armênios.
Nos últimos dias, a deputa propositora da lei, Valérie Boyer, vem sofrendo uma série de ameaças de morte, insultos e ofensas por parte desses grupos radicais que, alimentados pela retórica negacionista e violenta do governo turco, sentem-se livres para agredir a democracia francesa.
Em suma, diante das centenas de fatos ocorridos na França, Eckian prova a Bresser-Pereira que, ao contrário do que o ex-ministro alega, a nova lei serve à Armênia e interessa sim (e muito) à França, palco de atos violentos contra os armênios nos últimos vinte anos.
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