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Estudioso do genocídio revela plano de suborno a professores norte-americanos

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Asbarez

Por Harut SASSOUNIAN

Prof. Taner Akcam soltou uma bomba durante uma palestra na Biblioteca Pública de Glendale, na Califórnia mês passado, quando revelou que uma fonte confidencial em Istambul havia lhe informado sobre um esquema do governo turco para subornar estudiosos norte-americanos afim de negar o genocídio armênio.

Dr. Akcam, titular da Cátedra Kaloosdian / Mugar em Estudos sobre o Genocídio Armênio na Universidade Clark, em Worcester, Massachusetts, declarou que “o governo turco está seguindo uma política muito agressiva e sistemática nos EUA, tentando por em dúvida a veracidade do genocídio armênio”.

O grande esquema de Ancara (capital da Turquia) é fazer os turcos negacionistas clamarem amplamente as reivindicações de que os fatos e crenças de 1915 não constituem genocídio. Além disso, através de uma série de ações judiciais nos tribunais dos EUA, a Turquia e seus aliados estão tentando apresentar várias críticas de estudiosos negacionistas e estão excluindo materiais revisionistas de programas universitários”.

Prof Akcam, um dos primeiros estudiosos da Turquia a reconhecer o genocídio armênio, contou a sua platéia que, durante sua visita a Istambul em dezembro passado teve uma conversa particular com uma pessoa que tinha “informações privilegiadas” sobre as atividades do Ministério turco dos Negócios Estrangeiros nos Estados Unidos sobre o assunto do genocídio armênio. A fonte confidencial disse a Dr. Akcam que em algum momento entre 2004-2005, um professor universitário americano havia se reunido com autoridades ligadas com o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco. Nessa reunião, o professor disse a seus anfitriões turcos que “a Turquia não tem um programa sistemático no nível acadêmico com o qual possa contrariar as alegações dos armênios acerca do genocídio”, e que “a alegação de genocídio é bem estabelecida neste momento (nos EUA)”, dizendo-lhes que “há muito pouco a se fazer”.

Dr. Akcam foi privadamente informado de que o professor norte-americano fez a seguinte recomendação aos funcionários turcos: “A única coisa que vocês precisam fazer é cavar uma vala em frente a todas as reivindicações de genocídio, vocês precisam criar dúvidas ao escrever trabalhos acadêmicos que irão despertar que ha uma dúvida.

Dr. “Akcam interpretou estas palavras com significando de que” através da produção e incentivando novos trabalhos acadêmicos, os estudiosos americanos poderiam normalizar a idéia de que os fatos de 1915 não constituem um genocídio, assim como a crença do genocídio se tornou aceita”.
Embora seja comum pensar que o governo turco oferece incentivos financeiros para os estudiosos em todo o mundo para publicar artigos e livros negando o genocídio armênio, esta é a primeira vez que um conhecedor turco confirmou estas hipóteses. A fonte confidencial disse a Dr. Akcam que o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco aceitou a proposta do estudioso norte-americano e “transferiu grandes somas de dinheiro para os EUA” O informante revelou os nomes dos acadêmicos norte-americanos que receberam verbas para escrever livros negando o armênio genocídio, e revelou que “existem documentos assinados pelas próprias mãos e que se encontram agora nos arquivos de registros do Ministério do Exterior”.

Em sua palestra, Dr. Akcam afirmou que não queria “colocar qualquer acadêmico sob uma nuvem de suspeita”. No entanto, quando ele conectou a informação recebidas de sua fonte em Istambul”, viu que um retrato perturbador emerge na medida em que a pesquisa do Genocídio Armênio está em causa”.

Dr. Akcam então referindo-se ao recente livro de Michael Gunter, “História Armênia e a Questão do Genocídio”, como uma possível aproximação a este tema. O site da editora do livro, Palgrave Macmillan, afirmou: “Apesar de tantos como 600.000 deles [armênios] morreram durante a Primeira Guerra Mundial, não era nem uma política premeditada perpetrada pelo governo turco otomano, nem um evento implementado unilateralmente sem justa causa. É claro, de forma alguma isso desculpa os excessos horríveis que foram cometidos”.

Prof Akcam ainda observou que os quatro acadêmicos – Hakan Yavuz da Universidade de Utah, Guenter Lewy da Universidade de Massachusetts, Jeremy Sal da Bilkent University de Ankara, e Edward J. Ericson do Corpo de Fuzileiros Navais do Command & Staff College, na Virgínia – elogiaram o livro de Günter e que são bem conhecidos por suas posições negacionistas e obras sobre o genocídio de 1915″.

Embora Prof Akcam não quis fazer “uma acusação contra o escritor do livro”, mas declarou: “as semelhanças estranhas entre o que me foi dito em confiança em Istambul e que aparece na capa do livro me deu uma pausa, isso é tudo”.

Embora ninguém deva acusar acadêmicos de receber recursos do governo turco ou de seus procuradores sem evidências sólidas, seria esclarecedor se algum deles voluntariamente se apresentasse e divulgasse se realmente foram financiados por fontes turcas.

Armen Kevork Pamboukdjian Editor-chefe e redator do Estação Armênia. Nascido na capital Paulista, é formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, em skate pela faculdade das ruas e em causa armênia pela universidade da luta e resistência.

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