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Hoje acontece reunião de presidentes sobre Nagorno Karabakh

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Acontece hoje, 24 de Junho, uma reunião entre os presidentes da Rússia (Dmitri Medvédev), Azerbaijão (Ilham Aliyev) e Armênia (Serge Sargsyan) em Kazan, capital da república federada russa de Tartaristão. O encontro tem o objetivo principal de discutir o conflito em Nagorno Karabakh.

Armênia e Azerbaijão disputam o território desde 1980. Na região predomina a população armênia, e busca o reconhecimento da sua independência, que o Azerbaijão se nega a aceitar.

“O envolvimento pessoal do presidente Medvedev ajuda as partes a chegar a acordo.
Por isso, mostrámo-nos otimistas e achamos que se a Armênia fizer uma abordagem construtiva e mostrar vontade política para avançar, o conflito pode resolver-se rapidamente.” diz Aliyev, presidente do Azerbaijão

Aliyev continuou: “Na realidade não nos apropriamos de algo que tenhamos de devolver. Historicamente, Nagorno Karabakh faz parte do território azeri e é assim que é reconhecido internacionalmente. […] declarei publicamente que estou disposto a conceder o maior nível de autonomia que é do uso internacional ao povo de Nagorno Karabakh e a quem regressar.[…] O mundo compreendeu perfeitamente que o conflito de Nagorno Karabach não é um conflito bloqueado. Não é. E o cessar-fogo é muito frágil. As violações permanentes desse cessar-fogo sâo uma preocupação muito séria para Azerbaijão, para a Arménia, e para a comunidade internacional. […] Hoje por exemplo, o orçamento de despesa pública do Azerbaijão é dez vezes maior do que o da Armênia. Só o orçamento militar de Azerbaijao supera o orçamento geral armênio, e isso é uma realidade. E quanto mais tempo passar, maior será essa diferença entre os dois países.”

Sargsyan entretanto não acredita que o encontro traga muitas mudanças ao cenário atual. “As minhas expectativas não são grandes. Fala em concessões mas nós somos, claramente, contra as concessões unilaterais e somos a favor de concessões recíprocas. A situação apresenta-se de tal forma que se deve fazer concessões a um Estado pois há pessoas que só estão à espera de um motivo para cair em cima de nós. […] há intolerância no Azerbaijão, o que não acontece na Armênia. Temos de parar esta “armêniofobia”. Devemos construir uma base para a confiança mútua.”

Sobre a autodeterminação de Nagorno Karabakh: “Se o Azerbaijão não aceita este princípio, então como podem dizer que os princípios do Tratado de Madrid são os fundamentos básicos para continuar as negociações e encontrar uma solução para este problema?”

Seguiu Sargsyan: “Sabemos que há três princípios: A não-utilização da força e ameaça de força; A integridade territorial; e o direito à autodeterminação. Não são apenas as nossas propostas que estão inscritas nos princípios do Tratado de Madrid. Não parece um pouco estranho que ao longo dos anos o Azerbaijão esteja negociando um documento, quando nem sequer aceita um dos princípios básicos?”

“Ou o Azerbaijão declara, alto e em bom som, que é contra dois ou, pelo menos, um dos fundamentos do Tratado, Ou a comunidade internacional diz que não reconhece o direito à autodeterminação. Neste último caso, todo o progresso feito nas últimas décadas será negado. Pois se o direito à autodeterminação não é viável, como foi possível criarem-se dez novos Estados por causa dele? Como é que concedemos, por exemplo, esse direito ao Kosovo?”

“Havia uma outra região do Azerbaijão, povoada maioritariamente por armênios: a República Autónoma de Nakhichevan. Durante a era soviética e pós soviética, essa região foi completamente “des-armênizada”. Hoje, não resta um único armênio lá!”
A reunião de hoje pode não solucionar o conflito na região de Nagorno Karabakh, mas espera-se que com ela pelo menos defina-se a posição do presidente Ilham Aliyev, assumindo sua posição no conflito e deixando de lado os discursos contraditórios aos seus atos.

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