Home Da Redação Patriarca armênio de Jerusalém não entende refusa de Israel em reconhecer o genocídio armênio

Patriarca armênio de Jerusalém não entende refusa de Israel em reconhecer o genocídio armênio

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Via Jerusalem Post


O recém eleito patriarca armênio de Jerusalém, Nourhan Manougian, escreveu – em uma carta lida durante uma conferência em Jerusalém – que ele não podia entender a refusa constante de Israel em reconhecer o massacre turco de 1,5 Milhão de armênios como um genocídio.

arton86434-233x325Manougian afirma que se os EUA reconhecessem o massacre – que ocorreu durante vários anos e teve início mais de um século atrás – então Israel deveria reconhecer também.

A mensagem de Manougian foi lida na Universidade de Hebrew, onde o Professor Michael Stone, o fundador do programa de Estudos Armênios no Intituto de Estudos sobre a Asia e a Africa da universidade, conduz um simpósio e comemoração do Genocídio Armênio, anualmente.

Na sua mensagem para os armênios israelitas e judeus que estavam no evento, Manougian escreveu: “Durante 98 anos, muitos esforços foram feitos para conseguir que a Turquia admitisse que cometeu um genocídio, mas os turcos continuam a negar”. A cada ano, continuava, as pessoas repetiram “nunca mais”, e a cada ano a organização dos direitos humanos repetia o mesmo relatório sobre abuso dos direitos humanos, genocídio, fome e torturas.

Manougian citou Rwanda e Darfur, como exemplos de genocídios que ocorreram na história recente, “mas quem se lembra deles hoje?”, perguntou.

No início da carta, Manougian citou Napoleão Bonaparte dizendo “O mundo sofre, não por causa de violência e pessoas ruins, mas por causa do silêncio das pessoas boas.”

Da mesma forma, em um folheto distribuído pela Associação de Combate a Genocídios, o sobrevivente do Holocausto e aclamado autor Elie Wiesel é citado como dizendo: “O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.

O oposto da vida não é a morte, mas sim a indiferença quanto à vida e à morte. O oposto de paz não é nada diferente de apatia em relação ao horror da guerra e à beleza da paz”.

Tsolag Momjian, o honorário consul armênio em Jerusalém, cujos avós e tios foram mortos pelos turcos, excepcionalmente, ressaltou uma observação feita na semana passada pelo vice-ministro para as Relações com o Knesset Ofir Akunis, na qual ele disse que o Estado de Israel nunca negou o massacre, mas que a decisão de rotulá-lo um genocídio deve ser feita através de um debate aberto.

O ex-MK Yair Tzaban, que foi o orador principal do evento na Universidade Hebrew, foi elogiado por Stone e Momjian como sendo o primeiro deputado e ministro do governo a assumir a causa armênia. Tzaban observou que Yossi Sarid e Haim Oron, dois de seus ex-colegas do Knesset, que também eram ministros, também trouxeram o genocídio armênio a atenção do público, tanto no Knesset quanto na sala de aula.

Ele também elogiou a emissora Yaacov Ahimeir por seus esforços, iniciados em 1994, para garantir que algo relacionado com o genocídio armênio fosse transmitido a cada ano no Canal 1.

Tzaban lembrou que, quando o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu tinha sido vice-chanceler, ele disse que “há algumas coisas que vão além da política e da diplomacia, e o Genocídio Armênio é uma delas”. Nem a política nem a diplomacia “devem nos impedir de se identificar com as vítimas”, disse Netanyahu na ocasião.

“Infelizmente, como primeiro-ministro, ele não achou por bem reconhecer o genocídio armênio”, disse Tzaban.

“Se a América é capaz de reconhecer 24 de abril, por que não podemos?”, Ele perguntou. Como os armênios, Tzaban estava indignado com o que Akunis tinha dito.

“Israel é tão sensível à todas as formas de negação do Holocausto, ao racismo e ao neonazismo, mas não pode reconhecer o genocídio armênio, porque isso prejudicaria os seus interesses políticos e diplomáticos.”

Tzaban lamentou a rapidez com que Israel tinha esquecido, em sua opinião, quantos judeus imploraram por ajuda e foram rejeitados porque não era do interesse nacional ajudá-los.

Stone ressaltou que genocídio significa matar, não apenas um povo ou uma parte substancial de uma nação, mas também significa matar a cultura, a língua, a música e os costumes populares.

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