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Onnig comenta: Eleições presidenciais na Armênia: Eu votaria nulo!

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“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. Arnold Toynbee. 

Não tenho direito a voto na Armênia, mas meu envolvimento com o assunto me obriga a externar uma opinião. Hoje encerra-se a mais triste campanha eleitoral presidencial de que se tem notícia na história da Armênia. O atual governo usou, abusou e destruiu a democracia no intuito de manter no poder um grupo político manchado pelo autoritarismo, corrupção, omissão e alta traição às demandas nacionais, sejam elas a luta pelo reconhecimento do genocídio até as questões que envolvem Karabagh/Artshak.

Esse governo é responsável pela erosão dos fundamentos básicos da cidadania e da participação popular. A nação armênia e principalmente os residentes da República da Armênia devem refletir sobre isso ao se dirigir aos postos de votação na segunda-feira, dia 18 de fevereiro.

O pífio debate político certamente foi a tônica da mais pobre campanha eleitoral, em termos de conteúdo, de que se tem notícia na história da Armênia. Isso justamente é o que mais interessa aos atuais oligarcas que sequestraram o aparelho do Estado e lançam seus tentáculos em uma poderosa rede de influências.

Não é possível para qualquer analista falar de uma agenda de debates já que eles simplesmente não existiram, como se a Armênia não tivesse nenhum problema. Nem mesmo uma polarização emergiu, já que alguns candidatos ao cargo de presidente recorreram a greve de fome para chamar a atenção a sua candidatura e outro sofreu um atentado às vésperas do pleito.

Uma das consequências mais nefastas dessa despolitização, condição para perpetuação desse grupo no poder, é o desinteresse generalizado pela vida institucional da nação. A soma desses fatores me levam a seguinte posição:  a eleição do dia 18 de fevereiro é uma farsa e a candidatura Sargsyan também.

A  ambição desse grupo está custando à nação um preço caríssimo que é o desaparecimento da discussão sobre ética, que desmoraliza ainda mais esse governo que não se dá ou sequer merece respeito.

Claro que isso não ocorre somente na Armênia. O problema é que as necessidades do país são tão urgentes e a distância que temos que percorrer para soluciona-los é tão grande que nem pequenos passos podem garantir um futuro menos nebuloso. Necessitamos de uma revolução pacífica, democrática, popular e que coloque como meta a solução dos problemas e não a busca incessante por vantagens individuais ou de grupos de interesse.

Esse quadro não me surpreende, mas decepciona, sobretudo quando se considera a história da Armênia. Um país que resistiu a injustiças e atrocidades e um povo que soube se reerguer e que hoje vive esse quadro de descalabro gerenciado diretamente da sede do governo.

O atual governo da Armênia é uma fábrica de mentiras e sufoca qualquer tentativa de se buscar a mais básica condição de vida política. Em uma recente publicação na internet uma alta funcionária do Ministério das Relações Exteriores britânico chegou a afirmar que o poder judiciário nas províncias armênias era anacrônico e usava de métodos arcaicos favorecendo grupos privilegiados e que vivia pressionado pelo executivo. Esse é um exemplo da imagem que as autoridades armênias dispõem dentro dos círculos civilizados de discussão política internacional. 

O voto é uma das formas de participação na vida política. O voto nulo é o melhor caminho para mostrar a indignação com a atual situação.

 

*James Onnig Tamdjian é colunista do Estação Armênia e suas opiniões não refletem necessariamente às do portal.

James Onnig Tamdjian Professor de Geografia e Geopolítica. Fleumático, colérico, sanguíneo e melancólico.

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